
Do “Meu cinicário” – Apesar do mau hálito, a população mundial já ultrapassou 7,8 bilhões de pessoas. Sexo é como água: ele sempre dá um jeitinho para penetrar.
HIPOCRISIA PLUS
O pessoal ligado em informática deverá ter notado, no título, semelhança com alguns programas de computador em que são comuns essa nomenclatura. Mania de americano! Ao nome de um software, quando é lançada uma versão mais avançada do mesmo, agregam o plus (nas quatro operações fundamentais da Matemática, é o equivalente ao nosso “mais” na adição). Como, há três semanas, escrevi sobre o comportamento caracterizado por aquele termo, usando-o como título, resolvi emular a ideia (olhem: outra palavra muito usada na informática). Ou seja: repliquei o título, porque ele é um complemento ao comentário anterior!
Se tudo estivesse correndo dentro dos conformes, nós recém teríamos saído dos Jogos da XXXII Olimpíada, a Tóquio 2020. Os Jogos, oficialmente, deveriam ter ocorrido de 24 de julho a 9 de agosto. Mas, com o advento da você-bem-sabe-o-quê, em março deste ano, as disputas foram adiadas para o verão de 2021 (lá do Japão). Agora, alguém perguntará: o que tem isso a ver com hipocrisia? Explico meu raciocínio. Nada, pelo lado japonês. A festa foi suspensa e pronto, pouco importando todos os problemas advindos do cancelamento de uma promoção dessa magnitude. Fiz ligação com os jogos de futebol aqui no Brasil. Lembremos: ainda estamos na quarentena.
Todos os meios de comunicação enfatizam o distanciamento social, juntamente com máscara e álcool em gel, como os melhores meios de enfrentar a COVID-19. Existem pessoas sendo multadas, agredidas ou presas por não estar usando a máscara, mesmo caminhando sozinhas em parques ou ruas quase vazias, pois o conselho “oficial” é ficar em casa. A economia brasileira está seriamente abalada devido a essas restrições. Entretanto, algumas pessoas foram liberadas dessas obrigações: os jogadores de futebol, juntos com toda a entourage necessária à realização dum evento desses. Preciso citar a entourage? Massagistas, médicos, roupeiros, diretores, jornalistas, técnicos para transmissão radiofônica e televisada, comentaristas e tantos mais. Se isso não configurar uma aglomeração, deveremos rever nossos conceitos. Um simples programa televisivo, no qual vemos apenas uma pessoa na tela de nosso aparelho, demanda muita gente acessória. Mas todos se arvoram em guardiães da saúde pública, arbitrando os atos da população não envolvida no rude esporte bretão.
Hum!, há algo muito podre no reino do distanciamento social. Ou é hipocrisia! Plus.
Por Plínio Dias Zíngano
Professor, de Taquara
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