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Esta postagem foi publicada em 31 de agosto de 2020 e está arquivada em Penso, logo insisto.

Homenagem, por Plínio Dias Zíngano

Do “Meu cinicário” – O sujeito que elogia, incondicionalmente, todas as atitudes de padres e ministros religiosos, é um legítimo “puxa-sacro”!

HOMENAGEM

Na última terça-feira, vivi uma situação nada humilde de minha parte. Principalmente, porque a estou tornando pública agora. Mas meus leitores entenderão minha vaidade dado o contexto e ao fato de engrandecer o personagem central do acontecimento. Foi durante a homenagem derradeira a um grande amigo, falecido no dia anterior, o professor Antônio Edmar Teixeira de Hollanda, Secretário de Educação de Taquara. Ele exerceu essa função em quatro ocasiões: uma vez em Parobé e três em Taquara. Ou seja: tinha qualificação!

            Onde entro na história? Jamais canso de mencionar meu grande orgulho por ter criado duas escolas: uma em Parobé e, outra, em Taquara. Eu, chegado ao magistério após completar 52 anos, me sinto vitorioso ao fazer balanço da minha carreira. Entretanto, no primeiro ano desta viagem, em 1996, numa aula cujo tema era a profissão de pais de alunos, ouvi um professor de meu filho dizer que muitos professores só começavam quando não conseguiam fazer mais nada.

            Em 2007 – apesar daquelas palavras preconceituosas –, convidado pelo Secretário de Educação, o professor Edmar, tornei-me diretor de uma sala anexa à Escola Idalino (Parobé). Lá se preparavam alunos para as provas do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja), promovidas pelo MEC e realizadas, anualmente, em São Leopoldo. Seu nome era Núcleo Municipal de Educação de Jovens e Adultos de Parobé, o NEJAP. A missão: transformar a sala em unidade independente, realizando os exames ali mesmo e com maior frequência, sem precisar viajar.

            Em 2009, o professor Edmar terminou seu mandato, mas, em 2013, ao começar novo ciclo, agora, em Taquara, lembrou do meu nome para, desta vez, iniciar do zero o mesmo tipo de trabalho. Nascia a ESTAJA – Escola Taquarense de Jovens e Adultos, com a qual estou envolvido desde então. As duas escolas, criações desse homem que nos deixou na segunda-feira, se tornaram referências na sua especialidade, atraindo alunos de muitas outras cidades.

            A característica mais marcante de Edmar era a afabilidade, contando histórias divertidas de suas andanças pelo Brasil e pelo mundo, sempre envolvido com a educação. E, aqui, chego ao ponto central desta crônica. Sua elegância no trato com seus colaboradores era tanta que, mesmo morto, conseguiu passar-me uma mensagem envaidecedora. Estava eu sentado ao lado do caixão, quando, inesperadamente, Dona Clea, sua viúva, aproximou-se de mim, me tomou as mãos e disse: “ele o admirava muito”.

            Todo mundo sabe: nada mais envaidecedor do que ser elogiado por quem é elogiado por todos. Obrigado pela confiança, Antônio Edmar!

Por Plínio Dias Zíngano
Professor, de Taquara
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