Hospitais podem perder R$ 10 milhões do Estado e Ampara considera “perspectiva terrível”

Alerta foi divulgado pela Associação de Municípios do Paranhana, que realizou reunião com diretores de hospitais.
Publicado em 13/08/2021 22:28 Off
Por Vinicius Linden
Reunião de membros da Ampara em Parobé discutiu a situação da saúde mediante cortes anunciados em novo programa do governo do Estado. Divulgação

A Associação dos Municípios do Vale do Paranhana (Ampara) divulgou, nesta sexta-feira (13), um alerta para uma situação que, segundo a entidade, pode ser catastrófica para o setor de saúde da região. De acordo com a associação, o governo do Estado projeta um corte anual de R$ 10 milhões em repasse de verbas para o setor de saúde, com a tesoura passando a valer já a partir de setembro. A Ampara cita o possível encerramento de serviços como a realização de partos, cirurgias de urgência (geral e de traumatologia), cirurgias vasculares, de urologia e proctológicas, cirurgias ginecológicas e afetando ainda a referência em atendimento oncológico – que é Taquara.

Diante da perspectiva que classificou como terrível, a Ampara reuniu prefeitos, secretários de saúde e diretores de hospitais nesta sexta-feira. O encontro aconteceu em Parobé, na sede da prefeitura, e buscou estudar os impactos que a revisão provocará nos serviços pactuados com o governo do Estado.

A Ampara explica que a revisão ocorreu por meio de um programa denominado Assistir, lançado pelo Estado no dia 3 deste mês, e que altera o conceito de repasse de recursos estaduais às instituições hospitalares vinculadas ao Sistema Único de Saúde (SUS). egundo o prefeito de Parobé e presidente da Ampara, Diego Picucha, com a adoção de novos critérios de distribuição de incentivos hospitalares pelo governo do Estado, os hospitais da região serão impactados diretamente. “Se não revertermos de alguma forma essa nova sistemática de repactuação, somente em Parobé, no Hospital São Francisco de Assis, devemos ter uma queda de repasses por parte do Estado de cerca de R$ 500.000 ao mês, ocorrendo já a partir de setembro, somando cerca de seis milhões ao ano. Nosso hospital se verá obrigado a fechar as portas de sua ala obstetrícia e não teremos mais partos na cidade. Isso, será terrível para a nossa comunidade, sem contar que a nossa instituição é referencia e atende gestantes de toda a região”, destaca Picucha.

Além de Picucha, os prefeitos de Igrejinha, Leandro Horlle, e de Taquara, Sirlei Silveira, destacam que, mais uma vez, os municípios não foram chamados para participar da elaboração da proposta. “Ainda enfrentamos os impactos da pandemia no nosso sistema de saúde e seria desumano cortar ainda mais os parcos recursos que os municípios recebem do Estado para tratamentos de sua população, ainda mais neste momento tão delicado de recuperação da nossa saúde e de nossa economia. Os prejuízos que a redução de recursos acarretará aos usuários do SUS já será sentido no próximo mês, inviabilizando atendimentos à comunidade”, completou Picucha.

Durante a reunião, as equipes técnicas das cidades integrantes da Ampara reuniram dados preliminares e ficou definido que cada município irá compilar dados mais completos sobre os valores e cálculos relativos aos repasses, que serão apresentados por Picucha à secretária Estadual de Saúde Arita Bergmann, em reunião por vídeo que será realizada na tarde da terça-feira (17).

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