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Hospital de Parobé consolida-se como referência regional no tratamento de AVC

Linha de cuidado estruturada e campanhas educativas ampliam eficácia no atendimento de urgências neurológicas no Vale do Paranhana
Recentemente, Hospital fez uma apresentação aos gestores regionais do novo projeto.
Foto: Divulgação

O Hospital São Francisco de Assis (HSFA), de Parobé, assumiu no último ano a função de centro de referência para o tratamento de acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico na região 6 de saúde, que abrange os municípios do Vale do Paranhana. A iniciativa tem como objetivo principal reduzir o tempo de resposta no atendimento aos pacientes e aumentar a eficácia do tratamento, conforme relataram o diretor técnico da instituição, Leandro Dias Cezar, e o coordenador do serviço especializado em AVC, médico neurologista Diógenes Zan, em entrevista à Rádio Taquara.

Segundo os profissionais, a estruturação do serviço seguiu padrões internacionais e já apresenta resultados expressivos. Um dos principais avanços foi a redução do tempo entre a chegada do paciente ao hospital e o início da administração do tratamento, atualmente com média de 42 minutos, dentro do padrão considerado ideal pela literatura médica.

A abordagem para o tratamento do AVC isquêmico – responsável por cerca de 80% dos casos – envolve a administração de medicação trombolítica, que atua como um “desentupidor” das artérias cerebrais. Esse procedimento precisa ocorrer em até quatro horas e meia após o início dos sintomas. No entanto, considerando os exames e avaliações necessárias antes da aplicação do medicamento, é fundamental que o paciente chegue ao hospital preferencialmente em até três horas e meia.

Entre as medidas adotadas para garantir um atendimento eficaz está o envolvimento de toda a rede de saúde da região, incluindo o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e hospitais de cidades vizinhas. Ainda assim, os médicos destacam que o reconhecimento dos sintomas por parte da população é essencial para que o atendimento ocorra dentro da janela de tempo adequada.

Nesse sentido, o HSFA implementou um projeto educativo baseado em uma iniciativa europeia, voltado à conscientização nas escolas. O programa utiliza personagens lúdicos para ensinar os principais sinais de AVC: boca torta, dificuldade para levantar os braços e fala arrastada ou incompreensível. O objetivo é que as crianças atuem como multiplicadoras desse conhecimento em seus lares, principalmente junto a avós e familiares mais vulneráveis.

A campanha, intitulada “Heróis Rápidos”, será realizada em parceria com os municípios do Vale do Paranhana, com capacitação de professores da rede pública. De acordo com Diógenes Zan, a ideia é transformar as crianças em agentes ativos de prevenção e identificação do AVC.

Dados apresentados pelo neurologista mostram que, embora o tratamento trombolítico esteja disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2012, apenas cerca de 2% dos pacientes no Rio Grande do Sul recebem essa medicação. Na região de Parobé, o índice já alcança 20%, reflexo direto do esforço conjunto das equipes médica e administrativa do hospital, além do apoio das prefeituras locais.

Além de tratar com rapidez os casos emergenciais, os médicos reforçaram a importância da prevenção. Hipertensão arterial, diabetes, tabagismo, sedentarismo, má alimentação e consumo excessivo de álcool estão entre os principais fatores de risco para o AVC. Pequenas mudanças no estilo de vida, como pausas ativas durante o expediente e escolhas alimentares mais saudáveis, podem contribuir significativamente para a redução desses riscos.

Por fim, Leandro Dias Cezar reiterou que o Hospital São Francisco de Assis está capacitado para oferecer o melhor atendimento possível. “É um serviço de excelência, com indicadores exemplares. Se a prevenção falhar, a população pode contar com um atendimento seguro e de alta qualidade aqui na região”, destacou o diretor técnico.