A Associação Silvio Scopel, gestora do Hospital Bom Jesus, comunicou oficialmente às autoridades que a casa de saúde entrou em restrição devido às dificuldades de composição da escala médica, instabilidade na aquisição de insumos básicos, bem como materiais e medicamentos. Segundo documentos a que o Jornal Panorama obteve acesso, o diretor-geral do hospital, Rinaldo Simões, enviou ofícios comunicando as medidas ao Ministério Público e à Secretaria Municipal de Saúde de Taquara. O documento foi emitido nesta terça-feira (3), mas, segundo o ofício, as restrições estão em vigência desde 1º de março.
Em um dos documentos, remetido ao Ministério Público Estadual, o diretor afirma que encaminhou ofício à secretária estadual de Saúde, Arita Bergmann, ainda em fevereiro, dando ciência das dificuldades, mas não obteve retorno. “Tendo a situação de instabilidade desse nosocômio evoluída, decidimos pela restrição, em que o hospital atenderá somente Samu e pacientes com risco de morte, após triagem realizada pela enfermagem”, afirma o diretor Rinaldo. O representante do hospital afirma que a decisão visa a resguardar tanto os profissionais de saúde do hospital e a população usuária dos serviços médicos.
No documento remetido ao secretário municipal de Saúde, Vanderlei Petry, em 1º de março, o diretor afirma: “Infelizmente a insegurança e a instabilidade gerada pelos últimos movimentos judiciais da Secretaria da Saúde e Procuradoria Geral do Estado, produziram efeitos negativos no gerenciamento hospitalar do HBJ, causando esgotamento e tensionamento entre enfermeiros e técnicos, bem como enormes dificuldades para compor a escala médica. Aumentou-se muito os riscos de desassistência para a população de Taquara e os municípios referenciados. Diante deste cenário, informamos a essa Secretaria Municipal de Saúde que estamos restringindo os atendimentos ao Samu e aos casos de urgência e emergência com riscos de morte. Solicitamos informar ao Posto 24h para que estejam de sobreaviso quanto ao aumento de atendimentos de baixa complexidade. O protocolo para estas situações já está em vigência, sendo que todos os casos que apresentarem riscos serão avaliados médico a médico. Esta decisão visa resguardar tanto os profissionais da saúde do HBJ quanto a população usuária dos serviços médicos. Temos confiança na superação dessas dificuldades e no pronto e rápido estabelecimento das normalidades assistenciais”.
Já no ofício remetido à secretária Arita Bergmann, no dia 18 de fevereiro, o diretor menciona: “Em 13/02/2020 a ilustre procuradora do Estado, Verônica Bocchese, impetrou petição ao juiz federal da 1ª Vara Federal de Novo Hamburgo onde informa a retenção de repasses do Fundo Estadual de Saúde dos valores contratualizados com o Hospital Bom Jesus, competência janeiro/2020 e outras subsequentes. As dificuldades que o hospital enfrenta foram agora agudizadas com as referidas retenções. A instabilidade com os serviços médicos se aprofundou de tal maneira, que a referida decisão gerou um clima de insegurança, descrédito e desconfiança na continuidade na prestação dos serviços médicos, seja pelos que hoje estão na escala como por outros que poderiam vir a compô-la. Tem a presente mensagem a finalidade de dar ciência a essa Secretaria Estadual dos reflexos dessa decisão intempestiva para a porta aberta do hospital. Estamos com sérias dificuldades para fechar as escalas, pois o sentimento é de congelamento de obrigações e de acefalia da gestão. As consequências junto à população também foram sérias. Desta forma, Sra. secretária, compete a mim como gestor dar ciência a ilustre gestora estadual da referida instabilidade gerada pela decisão monocrática e das graves consequências que poderão advir para o atendimento à saúde da população de Taquara e região, face aos efeitos objetivos e subjetivos gerados pela retenção dos referidos repasses e para a gestão como um todo do Hospital Bom Jesus de Taquara”.


