Geral

Hospital de Taquara volta a suspender internações e cirurgias eletivas

Determinação, segundo a Associação Silvio Scopel, "foi ato isolado do diretor técnico".

O Hospital Bom Jesus, de Taquara, voltou a suspender as internações e cirurgias eletivas. A decisão, segundo a Associação Silvio Scopel, mantenedora da casa de saúde, foi tomada pelo diretor técnico, Renato Menzel, nesta segunda-feira (25). A entidade, porém, afirma que foi um ato isolado, do qual não concorda. Acrescenta que está tomando medidas para reverter a situação e que buscou, na Justiça, valores retidos pelo governo do Estado.

Ainda no final da tarde desta segunda-feira, o Jornal Panorama obteve acesso a uma orientação enviada pelo diretor Renato Menzel ao corpo clínico do hospital, por meio de um grupo de WhatsApp. No texto, o médico informa que a casa de saúde apresentava, naquele momento, déficit de funcionários superior a 70%, que é o previsto em paralisações regulamentadas pelo Conselho Regional de Enfermagem (Coren). Em virtude dessa situação, Menzel diz que estão suspensas novas internações nas unidades do hospital, assim como cirurgias eletivas. Orientou os profissionais a cadastrar em um sistema pacientes com indicação de internação para que sejam encaminhados a instituições com estrutura adequada.

Desde segunda-feira, Panorama contatou a assessoria de imprensa da Associação Silvio Scopel sobre o assunto. Um primeiro esclarecimento foi enviado, mas a reportagem solicitou mais informações. Numa nota divulgada na tarde desta terça-feira (26), a entidade diz que “a restrição temporária das internações e cirurgias eletivas foi ato isolado do diretor técnico Dr. Renato Menzel, a administração não concorda com tal procedimento, visto que os estoques de materiais/medicamentos e insumos estão dentro do limite necessário”.

Em relação à falta de funcionários, a Silvio Scopel afirma que tem conhecimento de três atestados médicos, na data desta terça-feira. Salienta que “ocorre neste período uma ação prematura de alguns funcionários por faltas injustificadas, não estando embasados nem autorizados pelo sindicato da categoria que vai avaliar a necessidade e/ou possibilidade de greve em assembleia marcada para o dia 28/02/2019”. A Silvio Scopel acrescenta que está trabalhando para solucionar os problemas o mais rápido possível. “Importante finalizar informando que as medidas judiciais cabíveis foram tomadas na busca dos valores retidos pelo estado e no momento se aguarda posição do juízo federal”, completa o texto.

Manifestação no processo

Dentro do processo que trata do Hospital de Taquara, a Associação Silvio Scopel encaminhou pedido à Justiça Federal para liberação de recursos. Como mostrou o Jornal Panorama, a entidade e o governo do Estado estão divergindo de valores bloqueados ainda em dezembro e que foram repassados à casa de saúde. Na nova petição, a que Panorama teve acesso, a Scopel afirma à Justiça que o governo gaúcho solicitou o bloqueio de R$ 1.581.099,24 que teriam sido repassados indevidamente ou autorização para que pudesse de abster de realizar pagamentos até este montante. Contudo, a entidade alega que, mesmo sem autorização da Justiça, o Estado deixou de fazer repasses ao hospital, no total de R$ 2.670.245,07. “Inacreditavelmente, usando uma matemática básica, fica muito claro que o Estado não está se importando com a vida das pessoas da Região do Vale do Paranhana, vejamos: se o Estado solicita, em duas oportunidades, o bloqueio de R$ 1.581.099,24, que ao seu entender fora indevidamente sequestrado de suas contas, porém afirma que deixou de repassar R$ 2.679.245,07, temos a simples conclusão de que o ente deveria ter repassado a diferença que é de R$ 1.098.145,83, visto que este valor não fazer parte da discussão processual como o próprio ente define”, defende a entidade.

Além disso, a Silvio Scopel diz que o valor contratualizado oriundo do governo federal jamais poderia deixar de ser repassado ao Bom Jesus, pois o Estado, segundo a entidade, não pode fazer o que bem entender com esse valor. A entidade afirma que o valor retido a mais fez com que o pagamento de janeiro dos funcionários não pudesse ser realizado, o que originou o agendamento de assembleia em que os profissionais discutirão possibilidade de paralisação dos serviços. Ao contrário do que a Silvio Scopel defende na nota encaminhada ao Jornal Panorana, no documento enviado à Justiça Federal a entidade diz que o hospital “está com seus estoques de insumos (medicamentos e materiais médicos hospitalares) em estado crítico”. Acrescenta que até mesmo os alimentos estão acabando.

Ainda no documento, a Silvio Scopel acrescenta que a Prefeitura de Taquara mantém seus repasses em dia. A entidade finaliza pedindo o sequestro de R$ 1.098.145,83 do Estado e a intimação para que o governo se abstenha de reter valores da casa de saúde. A Justiça Federal ainda não se pronunciou a respeito.