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Igrejinhense paralisada por AVC lança livro escrito com “piscares de olhos”

Professora perdeu todos os movimentos, mas manteve todas as funções cognitivas do cérebro.
Professora Valquíria Sohne perdeu os movimentos e a fala seis dias após o nascimento do seu filho. Divulgação

A história de vida da professora de Igrejinha Valquíria Sohne mudou completamente há seis anos. Após o parto do seu filho, ela sofreu um Acidente Vascular Encefálico (AVE), em que perdeu todos os movimentos e a fala. Desde então, a única forma de comunicação de Valquíria é através dos olhos, pela qual desenvolveu um método utilizando o piscar. Nesta quinta-feira, dia 3, Valquíria lançará o seu primeiro livro, escrito a partir de muitos “piscares de olhos”.

Valquíria, hoje com 42 anos, sofreu o AVE seis dias após o parto do seu filho. Apesar da gravidade do seu estado de saúde, algo raro aconteceu: as funções cognitivas do seu cérebro ficaram preservadas, ou seja, diferente da maioria dos casos, não houve perda de memória ou disfunções relacionadas à capacidade de compreensão, concentração e raciocínio lógico.

Atualmente, a professora se encontra acamada e se comunica apenas através do piscar dos olhos, em um processo lento e dependente de auxiliares feito através da confirmação alfabética. Além das funções cognitivas, algo muito importante também foi preservado: sua capacidade de sonhar. E foi daí que nasceu o sonho de escrever um livro, sob a sua nova ótica de ver o mundo.

A partir desta quinta-feira, Valquíria terá, também, um novo apoio tecnológico. Por meio do curso livro de Neurociências da Faculdade Censupeg, do Rio de Janeiro, foi desenvolvido um aplicativo para notebook capaz de identificar o clique do mouse por meio do piscar de olhos. O aparelho foi testado e validado pelo grupo de pesquisas e a sua entrega será feita pela Censupeg nesta quinta-feira, às 10 horas, na mesma ocasião em que Valquíria fará o pré-lançamento do livro que ela escreveu apenas piscando os olhos. O diretor-presidente da Censupeg, Sandro Albano, diz que se comoveu ao saber do caso a partir de um projeto desenvolvido por uma aluna durante o estágio de pós-graduação em Neuropsicopedagogia clínica e, neste momento, decidiu apoiar Valquíria, além de patrocinar a publicação do livro.