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Esta postagem foi publicada em 24 de fevereiro de 2017 e está arquivada em Penso, logo insisto.

IMPARCIALIDADE E OPINIÃO

Do meu tuíter @Plinio_Zingano – Roubam indignamente; matam indignamente; vivem indignamente. Mas, depois de presos e condenados, querem cumprir a pena com dignidade.

O jornalismo é uma atividade complexa. Pelo nome, vemos sua ligação estreita com “jornal”, na sua acepção fundamental de folha(s) impressa(s) contendo assuntos variados, informações, conhecimentos gerais, entretenimento. No português brasileiro, seu uso remonta a 1825. Com o advento de novos tipos de veículos de comunicação, as mídias pelas quais as informações chegam ao alvo – o distinto público –, a palavra, praticamente, se desvinculou do papel impresso, embora não o renegando, e passou a englobar, também, o rádio, a televisão e, atualmente, também a internet.

Uma das características mais marcantes do ser humano é a divergência de pensamento e a tentativa de impor aos outros as ideias pessoais. Nesse embate, quem fala mais alto tem grandes chances de vencer uma discussão. Não é uma boa justificativa para a vitória, mas corresponde à realidade crua, queiramos ou não. Por outro viés bem antropológico, admiramos quem aparece em jornal, rádio ou televisão, inclusive na página policial, vejam vocês! A publicidade funciona igual: o vestido daquela atriz da novela, provavelmente, vai vender muito no dia seguinte ao aparecimento em cena. A exposição pública cria uma aura de verdade e atrai.

Nada “fala mais alto” do que uma informação no jornal, na televisão ou no rádio. A própria imprensa, outro nome do jornalismo, desde os primórdios da comunicação, inculcou nos seus consumidores o conceito de imparcialidade, atribuindo-se o dom de narração de fatos como eles deveras ocorreram. O leitor/espectador/ouvinte, em tese, formaria opinião equilibrada e bem embasada a partir de sua narrativa. É o que mais temos visto, principalmente, na política.

Mas, amiguinhos, não sejamos tão inocentes! Por que dariam publicidade a uma opinião contrária àquilo julgado correto, sabendo que a audiência – os consumidores – estaria predisposta a tomar essa informação como verdade? Por qual razão deixar de dar uma versão adaptada dos fatos? Deem-nos um só argumento sensato para acreditarmos na “informação isenta” de alguém, sem tomar conhecimento da versão de outros? Aliás, no meio político, é recorrente o mote de que determinados veículos não falam a “verdade”. Mas como saber se não tivermos contato com tais veículos? Como podem eles próprios saber o que dizem os outros se não os lerem/assistirem/ouvirem?

Não esqueçamos que o primeiro grande ato de governos totalitários é a censura à imprensa, suprimindo as ideias contrárias. A verdade passa a ser única: a voz do dono!

Os artigos publicados no site da Rádio Taquara não refletem a opinião da emissora. A divulgação atende ao princípio de valorização do debate público, aberto a todas as correntes de pensamento.
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