
A indústria calçadista brasileira registrou a criação de 6,93 mil empregos no primeiro trimestre de 2026, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados, elaborados com base em números do Ministério do Trabalho e Emprego. Com o resultado, o setor encerrou o mês de março com um estoque de 278,24 mil postos de trabalho diretos, número que representa uma queda de 1,9% em relação ao mesmo período do ano passado.
De acordo com o presidente-executivo da entidade, Haroldo Ferreira, o desempenho de março foi superior ao registrado no mesmo mês de 2025. Neste ano, foram criados 1,23 mil postos, contra 1,06 mil no ano anterior. Apesar disso, o acumulado do trimestre mostra desaceleração: foram 6,93 mil empregos gerados, abaixo dos 9,17 mil registrados no primeiro trimestre de 2025. Segundo ele, o cenário ainda apresenta desafios, embora a geração de vagas siga como um sinal positivo.
A previsão da Abicalçados para 2026 aponta estabilidade na produção, com variação de 0,1%, podendo chegar a um crescimento de até 1,4% em um cenário mais favorável, superando a marca de 850 milhões de pares produzidos. A expectativa é de melhora gradual no segundo semestre, período em que são comercializadas as coleções de verão, tradicionalmente mais representativas no volume da indústria.
Entre os fatores que podem impulsionar o setor estão a possível recuperação do ambiente internacional, os reflexos do acordo entre Mercosul e União Europeia e a realização da BFSHOW, considerada a maior feira do segmento na América Latina, marcada para ocorrer entre 18 e 20 de maio, no Distrito Anhembi, em São Paulo.
No recorte por estados, o Rio Grande do Sul segue como principal empregador do setor. No primeiro trimestre, o estado gerou 1,3 mil empregos, totalizando 74,85 mil postos diretos, o que representa uma queda de 6,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. O Ceará aparece na segunda posição, com a criação de 40 vagas e um estoque de 66,6 mil empregos, registrando retração de 1,7% na comparação anual. Já a Bahia ocupa a terceira colocação, com saldo positivo de 644 postos no trimestre, alcançando 43 mil empregos diretos, alta de 4,6% frente ao mesmo intervalo de 2025.


