Colunas Informática
Esta postagem foi publicada em 8 de maio de 2009 e está arquivada em Colunas, Informática.

Liberdade aos computadores!

marceloO ano era 2000, e lá estava eu no Salão de Atos da Ufrgs em Porto Alegre, assistindo à palestra de um visionário sonhador chamado Richard Stallman, ex-pesquisador do centro de pesquisa mais famoso do mundo (MIT). No início, ele contou uma história de forma muito engraçada, do tempo em que ainda trabalhava no MIT: ele havia desenvolvido um software para a impressora do seu setor (que ficava razoavelmente longe da sua mesa), que avisava quando terminava ou trancava o papel. Com isso, evitava eventuais perdas de tempo para ir até a máquina e só então descobrir que sua impressão havia sido descartada devido a problemas com o papel.
Tudo ia bem, até o dia que o MIT trocou as impressoras, que assim, como a antiga, não avisavam quando o papel terminava. Por esse motivo, ele solicitou ao fabricante que enviasse o “código fonte” do software para que ele, gratuitamente, fizesse a modificação necessária para gerar o aviso de falta de folhas. Para sua surpresa na época, a empresa se negou a fornecer o código fonte. De acordo com ele, esse simples fato foi determinante para ele perceber como softwares “proprietários”, aqueles nos quais não temos acesso aos códigos que os controlam e os fazem funcionar, poderiam limitar o trabalho e o próprio desenvolvimento da sociedade. Nesse momento, estava nascendo a filosofia do software livre.
Atualmente, podemos dividir o mundo dos softwares em dois grandes grupos: softwares proprietários e livres. Os primeiros são aqueles que a maioria de nós está mais acostumada: programas feitos por alguma empresa que nos fornece, mediante pagamento, apenas a parte executável do software, ou seja, não temos acesso ao código fonte, aquilo que foi escrito pelo programador e que comanda o funcionamento do nosso computador. Por analogia, é como um bolo que compramos em uma padaria: recebemos o resultado do trabalho de alguém, mas não sabemos exatamente os ingredientes desse bolo, nem como ele foi feito e, embora ele pareça muito bom, pode ter ingredientes que nos fazem mal à saúde. Já os softwares livres possuem essa denominação pelo fato de que temos acesso completo a todo o código fonte que comanda esse programa (voltando a analogia, o código fonte corresponderia a receita completa do bolo). Podemos modificá-los, estudá-los, e, talvez como característica mais marcante, podemos copiá-los livremente. Sim, com softwares livres não existe o menor risco de cometermos “pirataria de software”.
O sonho do Stallman gerou resultados prósperos e atualmente os softwares livres ocupam espaço importante em todas as empresas e para milhões de usuários “comuns”, sendo os softwares GNU/Linux, Firefox e OpenOffice os mais conhecidos pelo grande público. Todos os anos o Curso de Sistemas de Informação da Faccat realiza um evento para homenagear e divulgar os softwares livres denominado “Install Fest”. É voltado para leigos e usuários avançados. Se você quer saber mais sobre o assunto, participe!
Marcelo Azambuja
E-mail: [email protected]

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