

Na palestra “Como a IA generativa está moldando o futuro do trabalho”, o pesquisador e fundador do Cappra Institute, Ricardo Cappra, destacou no Taquara Summit como a inteligência artificial (IA) está transformando a forma como empresas e pessoas lidam com dados e decisões. Segundo ele, esse tipo de IA produz dados sintéticos, informações criadas artificialmente que já superam, em volume, os dados gerados por interações humanas com plataformas digitais.
Cappra explica que essa abundância de dados permite às organizações acelerar processos e ampliar a tomada de decisão, mas alerta para os riscos de complexidade e desconhecimento.
“O problema é que esse dado assustador afasta empresas e reduz a competitividade, principalmente de organizações locais que poderiam atuar ativamente”, disse, citando sua pesquisa publicada na MIT Technology Review, sobre a chamada “síndrome de Frankenstein”, que mostra como tecnologias criadas para aperfeiçoar o humano podem gerar desafios inesperados.
Ele também ressaltou a evolução da cidadania digital: mais pessoas usam tecnologias e sistemas analíticos em tempo real, como apps de mobilidade, mas ainda dependemos de ferramentas para processar e qualificar a informação disponível. Para lidar com a complexidade, Cappra defende o uso de inteligência aumentada, que amplia a capacidade de decisão humana ao complementar o cérebro com recursos tecnológicos, como smartphones e sistemas de dados avançados.
“Há alguns anos, começamos a complementar nossos cérebros com máquinas de armazenamento de informação. Parte do conhecimento que carregamos, daquilo que aprendemos sobre o mundo, já está armazenado nos smartphones que levamos conosco, inclusive na cama à noite. Se essa ‘extensão’ do cérebro for desligada, não conseguiremos lembrar de tudo o que programamos ou planejamos. Já estamos, portanto, usando essa capacidade complementar de armazenamento”, destacou o pesquisador.
O pesquisador apontou que, atualmente, convivemos com três tipos de inteligência nos negócios: a analítica, baseada em ciência de dados; a prática, ligada à experiência e tomada de decisão; e a coletiva, que surge da interação entre pessoas e sistemas.
“Estamos entrando em um momento em que a tecnologia deve ser aliada para potencializar as habilidades humanas, e não para substituí-las”, concluiu.


