
Acusado de ser um dos maiores distribuidores de drogas do Vale do Paranhana, um detento da Penitenciária Estadual do Jacuí (PEJ), identificado como Ederson da Silva Nantal, o Saraiva, determinou, no final de semana, um tipo de ação que ainda não havia sido registrado na região: a represália a uma ação policial com a queima de ônibus. A ação foi flagrada em escutas telefônicas, e aconteceu após a prisão de uma mulher, em Taquara, na noite de sexta-feira. A acusada, de 35 anos, é suspeita de distribuir drogas para Saraiva.
Em dois áudios divulgados nesta segunda-feira, a Polícia Civil revela que o detento emite ordens para colocar fogos em ônibus na região e diz que, nas cadeias, está tudo dominado pelas facções. Após a ordem para queima dos veículos, de fato ocorreu um ataque, na madrugada do sábado, na garagem da empresa Trescotur, às margens da ERS-115, em Três Coroas. Os policiais agiram para evitar outros ataques.
Ainda durante o dia do sábado, a Polícia Civil organizou a operação Pronta-Resposta. Os agentes foram até a PEJ e deram voz de prisão a Ederson Nantal (foto à direita), que foi trazido até Três Coroas, onde foi autuado em flagrante por associação ao tráfico, incêndio criminoso e coação processual. Foi ainda apreendido um celular supostamente utilizado pelo detento. Depois, Nantal foi reencaminhado ao sistema prisional, com pedido da Polícia Civil para a transferência a uma penitenciária de alta segurança.
O delegado regional Heliomar Franco afirma que a ação serve de inspiração para situações análogas, em que presidíarios determinam ordens criminosas a serem executadas nas ruas, julgando-se distantes da ação da polícia por estarem recolhidos na cadeia. “Provamos que ninguém está fora do alcance da responsabilidade penal, podendo ser preso em flagrante, ainda que já esteja recolhido na penitenciária”, afirmou.
A Polícia Civil informou, ainda, que dois menores suspeitos de terem executado as ordens do preso já estão identificados e será solicitada a internação de ambos. Na operação inicial da Polícia Civil, que prendeu a mulher em Taquara, foram apreendidos aproximadamente seis quilos de maconha, 150 gramas de crack, munições de arma de fogo, uma balança de precisão, aparelhos celulares e R$ 920 em espécie.
Ouça os áudios:


