PAROBÉ – Muito antes de Falcão ser o ídolo nacional no Futsal, outra geração de atletas orgulhou o País ao vencer competições internacionais. Entre eles, estavam Manoel Tobias, Fininho, Ortiz e Jorge Pimentel. Jorginho 13 (foto), como é conhecido, além de vencer o mundial de 92 com os colegas, ganhou o troféu Fifa de Melhor Jogador do Mundo naquele ano. Aos 45 anos, escolheu viver uma vida tranquila, aprender coisas novas e valorizar a simplicidade. Para isso, adotou Parobé como lar há dois anos.
“Em 2002, quando eu estava de férias na equipe russa onde jogava, fui convidado para disputar um campeonato pelo Águia do Vale, de Parobé. Esta foi a primeira vez que visitei a cidade e, realmente, gostei dela. Fui muito bem recebido, as pessoas conheciam meu trabalho e me respeitavam por ele”, afirmou o carioca sobre seu primeiro contato com o município.
“Depois que parei de jogar, decidi seguir uma rotina mais tranquila, ter uma vida simples e aprender coisas novas. E foi aqui que consegui isso. Hoje vivo do aluguel de imóveis e, também, dos meus três empregos”, contou Jorginho, que divide seu tempo entre uma empresa de segurança e zeladoria, o restaurante Spaço Friends – onde trabalha como chapista – e a padaria Cantinho dos Doces.
Perguntado sobre o porquê não quis ser treinador de futsal, respondeu: “eu tentei, mas é uma profissão muito ingrata. Você pode realizar uma ótima campanha e fazer um clube, que nunca tinha passado da quarta colocação, campeão de um estadual. Mas assim que tiver duas partidas ruins, será mandado embora. Isso aconteceu, por exemplo, com os colorados Falcão e Fernandão, e com o Renato Gaúcho, no Grêmio”, explicou. “Porém, como não consegui ficar longe da quadra, hoje treino o Toko Tintas, daqui”, revelou o ex-jogador.
A relação de Jorginho 13 com o futsal começou muito cedo, na favela da Matriz, perto do Maracanã. “Desde que me conheço por gente jogava bola com os moleques perto de casa. Chegava em casa da escola, ajudava a mãe nas tarefas da casa e saía jogar. Um dia, quando eu tinha oito anos, recebemos uma visita no campinho. Era noite de segunda-feira e chovia. Estávamos em cerca de 30 crianças e jogávamos golsinho. Quem ganhava a partida ficava para a próxima. Enquanto jogava, vi que tinha um senhor bem vestido, ao lado de uma árvore, nos observando. Quando paramos de jogar – isso já era três da manhã – ele se apresentou. Disse que era olheiro de um time e me convidou para fazer parte dele. – Mas irmão, eu não tenho tênis para usar, respondi”, contou Jorginho.
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