Nesta terça-feira, dia 30 de maio, completará quatro anos um dos acidentes de trânsito de maior repercussão em Taquara. Trata-se do atropelamento de uma menina junto com sua avó, na ciclovia da avenida Sebastião Amoretti, por volta de 7 horas do dia 30 de maio de 2013. Andriely Gonçalves, 10 anos, morreu no local. Sua avó, Maria Elvira Rodrigues, ainda hoje sofre sequelas do acidente. Na semana passada, por meio do seu advogado, o motorista acusado do acidente se manifestou pela primeira vez ao Jornal Panorama. Julio Cezar Licks Machado, advogado de Montenegro, representa Fábio Edson da Rosa, 29 anos. Diz que seu cliente se sente, até hoje, muito culpado pelo que aconteceu e quer encontrar formas de reparar o dano.
A entrevista era para ser concedida pelo próprio Fábio, mas ele optou por deixar a manifestação a cargo do seu advogado, temendo a exposição pública. O defensor afirma que, até hoje, o motorista sofre com eventuais preconceitos de quem sabe o que aconteceu. Segundo o relato, Fábio tem uma filha da mesma idade de Andriely, e cada vez que olha para a criança, inevitavelmente se lembra do acidente. Com isso, sofre e fica triste. “Ele tem um sentimento de peso na consciência pelo que aconteceu, uma vez que não gostaria e não imaginava que ocorreria o acidente”, disse o advogado.
Sobre o episódio, Licks contou que Fábio estava trabalhando na Usaflex, em Igrejinha, naquele dia. Fez serão prolongado, e estava sem dormir há várias horas. Quando foi liberado do serviço, deu carona para amigos, deixando-os em casa. Depois, em direção à sua residência, acabou dormindo na direção, o que provocou o acidente. O advogado conta que Fábio se acordou no posto onde o seu carro foi parar, ao lado do quartel da Brigada Militar. Com a confusão, e o receio de que fosse agredido por pessoas das proximidades, fugiu. As garrafas de whisky que foram encontradas no carro de Fábio, segundo o advogado, pertenciam aos amigos do motorista.
Foi o temor de que algo ameaçasse a sua integridade física que levou Fábio a fugir para Santa Catarina, diz o advogado. O motorista ficou de maio até novembro de 2013 na condição de foragido, tendo sido pego pela Polícia Civil de Taquara no município de São João Batista. A fuga para o estado vizinho, segundo o advogado, ocorreu porque, devido à repercussão do acidente, Fábio ficou com medo. Em Santa Catarina, trabalhou a fim de arrecadar dinheiro para a sua defesa, com a intenção de derrubar o decreto de prisão preventiva. Mas, acabou preso antes. Licks foi o responsável por ingressar com o habeas corpus que acabou liberando Fábio.
Sentenciado na Justiça de Taquara por homicídio com dolo eventual, ou seja, quando assume o risco da morte, o caso teve uma reviravolta em 2015. O advogado Licks conseguiu desclassificar o crime em recurso no Tribunal de Justiça. Hoje, Fábio responde, na Justiça de Taquara, por homicídio culposo de trânsito, cuja pena varia de dois a quatro anos de detenção, podendo ser agravada em caso de embriaguez. O advogado afirma que busca, neste caso, a suspensão condicional da pena, em que Fábio, como réu primário, se apresentará à Justiça durante dois anos e não poderá cometer nenhum outro crime. Neste caso, após o período de apresentação, o processo será extinto.
O advogado ressaltou que seu cliente não é uma pessoa voltada ao crime. “Ele se sente muito mal visto, julgado, principalmente por pessoas que não o conhecem de uma maneira mais próxima. Fábio ainda quer encontrar uma forma de reparar este fato, seja através de um encontro, algo neste sentido”, comentou o advogado, dizendo que seu cliente ainda tem dificuldades para dormir devido às lembranças do fatídico dia 30 de maio de 2013.


