Polícia

Juiz marca para 27 de fevereiro novo júri do caso Marilene

Defesa de acusado de tentar matar ex-servidora da Câmara de Taquara se retirou do plenário no julgamento que seria nesta sexta-feira (16).
Réu foi apresentado para julgamento nesta sexta-feira (16), mas sessão acabou não sendo realizada.
Foto: Alan Júnior / Rádio Taquara

O juiz Rafael Silveira Peixoto, titular da 1ª Vara Criminal da Comarca de Taquara, marcou para o dia 27 de fevereiro, a partir das 9 horas, a data de realização do júri de José Antônio Sartori, de 64 anos. Ele é acusado de tentativa de homicídio contra sua ex-companheira, Marilene Wagner Sartori, 63 anos, crime ocorrido em 2019. O júri seria realizado nesta sexta-feira (16), mas acabou sendo adiado por conta da renúncia da defesa do réu na véspera. O novo advogado que assumiu a defesa disse não ter conhecimento de todo o processo, e se retirou do plenário, impedindo a realização do júri.

Em despacho divulgado no final da tarde desta sexta-feira, o juiz Rafael Peixoto examinou as questões pendentes do processo, em especial após a retirada da defesa do plenário no Tribunal do Júri. “A esse respeito, reitero o entendimento de que a nova defesa assume o processo no estado em que ele se encontra, de forma que a sessão de julgamento deveria ter-se realizado. Ainda assim, tratando-se de questão controvertida na jurisprudência e, mais importante, havendo compromisso do novo advogado na direção de que não abandonará a causa (vide o que constou de sua própria manifestação na ata de audiência), tenho não ser o caso de aplicar a multa solicitada pelo Ministério Público”, decidiu o juiz.

O magistrado finalizou seu despacho determinando a data da nova sessão de julgamento, para 27 de fevereiro, às 9 horas. O juiz Rafael ainda determinou a intimação das partes e testemunhas e a requisição do réu à Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe) na nova data.

O caso

À época do crime, Sartori e Marilene estavam divorciados, mas ele propôs uma reconciliação. Os dois jantaram juntos naquele dia e, no caminho de volta para casa, Sartori parou o carro nas proximidades da ponte do Rio dos Sinos, na ERS-020, alegando algum problema mecânico. No entanto, ele desceu do veículo, colocou luvas, pegou a arma e deu tiros contra o vidro da janela do caroneiro, onde estava Marilene.

O homem voltou ao carro e dirigiu no sentido de Igrejinha. Marilene chegou a fingir a própria morte para que o ex-companheiro levasse ela até o Hospital de Taquara. Na casa de saúde, o réu disse que os tiros teriam sido feitos por assaltantes. Contudo, Marilene, lúcida, conseguiu contar a verdade aos policiais acionados pela equipe do hospital. Sartori foi preso no hospital e autuado em flagrante na delegacia do município.

Além da forma como tudo ocorreu, o crime também chocou a comunidade de Taquara em razão do fato de que Marilene trabalhou por muitos anos na Câmara de Vereadores do Município, como funcionária concursada do Legislativo. Na época do crime ela já havia se aposentado, mas continuava nos trabalhos legislativos, como diretora, em cargo comissionado. A presidência era ocupada, naquele ano, pela atual prefeita de Taquara, Sirlei Silveira.