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Publicado em 08/11/2021 22:34 Off

Do “Meu cinicário” – Dilema ecológico: ou usamos papel higiênico e espalhamos sujeira pelo mundo ou nos limpamos com água e desperdiçamos o precioso líquido.

JULGAMENTOS

Eis, aqui, uma palavrinha complicada. Ela é um termo jurídico, significando o ato pelo qual um juiz de direito, depois de examinar os autos de um processo judicial e formar sobre ele uma convicção, expõe e justifica sua decisão para a solução de determinado conflito. Mas, como todas as palavras do léxico, ou, pelo menos, a grande maioria, esta também admite outras interpretações. Neste caso, embora continue indicando a formação de certezas sobre alguém ou alguma coisa, já extrapola o âmbito da lei (eu ia escrever “legal”, mas, atualmente, este é um termo, apesar de ainda ligado às leis, com significados de “bom”, “positivo”, e você sabe,  aquelas coisas desejáveis; enfim… legais).

Todos nós, mesmo distantes das lides jurídicas, vivemos fazendo nossos julgamentos particulares. Tais julgamentos não implicam em punições de privação de liberdades, por exemplo, mas acabam interferindo na liberdade de alguém poder agir segundo suas decisões. Claro, se as nossas considerações forem levadas em conta pelos “réus”! Para bem-estar geral, pois sobre nós também recaem as sentenças a respeito de nossos atos, elas não são levadas muito a sério. É que, cada um de nós, se guia por códigos de conduta internalizados por obras da educação – escolar ou de costumes e tradições (principalmente esses últimos). Cada dia da vida é uma sessão do júri, presidida interna e pessoalmente. Se conseguíssemos pôr em prática as nossas sentenças, o mundo veria as maravilhas delas emanadas. Seria um mundo perfeito, onde imperaria a concórdia e o amor. Aliás, a literatura está repleta de histórias narrando essas situações. Chamam-se utopias, das quais a mais famosa é a narrativa do inglês Sir Thomas More, em livro de 1516, Utopia. More criou a palavra para denominar sua ilha perfeita, a partir de dois termos gregos, significando um “lugar inexistente” dada à perfeição de sua sociedade, ou seja, ideal.

A Literatura reagiu às utópicas situações de Thomas More, criando obras narrativas distópicas, os “maus lugares”, tão em moda nas citações políticas atuais (“1984” e “Admirável mundo novo”). E é nesta situação que vivemos com os julgamentos feitos. Sabemos o caminho para a sociedade ideal, porém os outros (sempre, os outros) teimam em trilhar o mau caminho. Cada sentença nossa é descumprida e tratada com desdém e desprezo. Isso nos leva a um beco sem saída. Haverá uma sentença ideal, isenta de opiniões e achismos?

Por Plínio Dias Zíngano
Professor, de Taquara
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