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Jussara Mari foi morta com requintes de crueldade e por desentendimentos financeiros

A vítima foi morta com pauladas e facadas. Ela assistia TV quando o acusado lhe acertou com um pedaço de pau

O assassinato da idosa Jussara Mari, de 64 anos, ocorrido na última terça-feira (27), na rua Júlio de Castilhos, no Centro, em Taquara, ocorreu devido a desavenças relacionadas a herança e com extrema crueldade. De acordo com a Polícia Civil, o acusado pelo crime, Ademar Augusto da Rosa, de 67 anos, confessou que matou a mulher com pauladas e facadas. O enteado da vítima, Alexandre Ricardo Thiesen, de 54 anos, é suspeito de acobertar o crime. O motivo para o assassinato é relacionado à herança da família que, segundo o acusado relatou à polícia, a vítima estaria querendo se desfazer dos bens da família, favorecendo os filhos dela com o marido.

Jussara Mari, 64 anos, foi morta pelo “genro emprestado”.
Foto: Divulgação / Redes sociais

Conforme as investigações, Rosa é casado com a filha do primeiro casamento do esposo de Jussara. Portanto, ele seria uma espécie de “genro emprestado” da vítima. Rosa informou, durante o depoimento que, ao longo de 20 anos, assistia Jussara administrar mal o dinheiro da família, favorecendo, especialmente seus dois filhos. Jussara era a segunda mulher do patriarca, que tinha mais três filhos do primeiro casamento.

As diferenças na administração dos bens da família já ocorriam há um bom tempo, conforme explica o Delegado Regional da Polícia Civil, Heliomar Franco. “O autor confesso do fato nos relatou que existia uma divergência familiar sobre os bens, que eram administrados pela vítima. Jussara era a principal mantenedora e executora das despesas do patrimônio da família e havia uma desavença, uma contrariedade pela forma como ela vinha coordenando o uso desses bens. Além disso, ele nos relatou que havia algumas inimizades, algumas ressalvas entre eles e que as coisas vinham se acumulando, ao ponto de ele dizer que não suportava mais sua presença, não conseguia mais conviver com ela. Aí ele usou esse motivo como argumento para ir ao local e tirar a vida da mulher”, disse o delegado.

O acusado pelo crime Ademar e o enteado da vítima Alexandre.
Foto: Divulgação / Polícia Civil

A Delegada responsável pela Delegacia de Polícia de Pronto-Atendimento (DPPA) de Taquara, Rosane de Oliveira, detalhou como os policiais chegaram ao motivo do crime. “Durante uma conversa com familiares, no local do fato, conseguimos identificar que havia uma desavença em relação a patrimônios da família, no sentido de administração de bens e herança. O patrimônio do pai é muito grande e com o passar dos anos foi se deteriorando. Quem administrava esse patrimônio era a segunda esposa, no caso, a vítima. Houve uma discussão em que foi relatado que possivelmente a mulher estaria beneficiando seus filhos em detrimento dos filhos do primeiro relacionamento. Conforme o acusado nos relatou, o que culminou nesse intento dele, foi que colocaram a venda um sítio de propriedade da família. Esse sítio estaria avaliado em milhões de reais. O sítio fica à beira de uma estrada, no interior de Parobé. Os filhos da vítima teriam colocado a parte dos fundos à venda. Isso causou uma revolta, pois a delapidação do patrimônio já vinha acontecendo há tempo e, também, pelo fato de a esposa do autor do crime, estar internada em uma clínica psiquiátrica”, explica à delegada.

Delegado regional Heliomar Franco e a delegada da DPPA de Taquara Rosane de Oliveira.
Foto: Alan Júnior / Jornal Panorama

O crime

O assassinato de Jussara Mari se deu de forma cruel. O acusado chegou à residência da vítima, que estava sentada em um sofá assistindo televisão, e começou a golpeá-la com um pedaço de pau. Ela teria entrado em luta corporal com o homem, que batia com a madeira em sua cabeça, tanto que chegou a ter esmagamento do crânio. Rosa teria usado um tipo de bastão que tinha em seu carro.

“Conversando com o acusado, ele disse que tem o hobby de fazer malabarismo com bolas e pedaços de pau, e que este pau que ele utilizou estava dentro do veículo. O homem entrou na casa, com esse instrumento na mão e já chegou batendo. Ela estava sentada assistindo televisão e ele já chegou atacando ela. Eles entraram em luta corporal e ele deu várias pauladas nela. Inclusive parte do crânio, da cabeça dela ‘descolou’ em razão da violência das agressões”, relata a delegada Rosane.

A residência onde a mulher foi morta à pauladas e facadas.
Foto: Alan Júnior / Jornal Panorama

Logo depois, vendo que a vítima ainda não havia morrido, o homem deu várias “estocadas” na vítima com uma faca. “O que se conclui através das investigações, é que ela estaria viva, após as pauladas, porque ela era uma senhora forte, resistente. Ele foi até a cozinha, que inclusive tem manchas de sangue nas gavetas. No local, encontrou uma faca de cozinha para concluir, efetivamente, o homicídio”, conclui a delegada.

O enteado

O enteado de Jussara, Alexandre Ricardo Thiesen, de 54 anos, esteve na residência, pouco depois do crime. Inclusive, foi ele quem acionou a Brigada Militar para atender a ocorrência. Thiesen teria estado no local e encontrou o cunhado.

“O Ademar esteve em duas oportunidades no local do fato. A primeira vez ele foi lá para executar o crime, e executou. Ele saiu do local e depois resolveu voltar à cena do crime, pois queria retirar de lá o instrumento que tinha usado para praticar o delito, que era o pedaço de madeira que ele tinha dentro do veículo. Nesse momento ele teria se encontrado com o enteado da vítima”, afirma o delegado Heliomar.

A delegada Rosane disse que Ademar foi ao local e só perguntava sobre o pedaço de pau. “Ele perguntava para o Alexandre ‘onde está o pau, onde está o pau’, que ele utilizou durante o crime, mas não achou, pois, o instrumento estava embaixo do corpo da vítima. Nós apreendemos o objeto usado no crime porque ele não encontrou”, finaliza a delegada.

O desfecho

De acordo com o delegado Heliomar Franco, o crime está esclarecido. “Ainda faltam alguns detalhes para apurar a participação ou não do Alexandre. Ele já está preso por dois motivos: possível participação no crime, preventivamente, e porte ilegal de arma de fogo com numeração suprimida em flagrante”, encerra o delegado.