
Iniciou agora pela manhã, no Fórum da Comarca de Igrejinha, a fase de depoimentos de testemunhas no caso das mortes das irmãs gêmeas Manuela e Antônia Pereira, de seis anos, ocorridas em outubro do ano passado. A mãe das meninas, Gisele Beatriz Dias, 43 anos, é ré por homicídio duplamente qualificado, apesar de negar a autoria.
Na audiência desta sexta feira devem ser ouvidas 33 testemunhas, entre elas médicos, policiais, vizinhos, o pai das meninas e uma irmã das vítimas. A expectativa é que o interrogatório da ré também ocorra nessa data, embora o número elevado de testemunhas possa exigir o agendamento de nova sessão. Gisele está presa preventivamente desde outubro, na Penitenciária Feminina de Guaíba.
A acusação, conduzida pelo Ministério Público, sustenta que a mãe sufocou as filhas com uso de objeto macio, como travesseiro ou saco plástico, embora laudos do Instituto-Geral de Perícias (IGP) não tenham detectado substâncias tóxicas nos corpos das crianças. Inicialmente, a polícia trabalhava com a hipótese de envenenamento, levantada inclusive por profissionais de saúde que atenderam as meninas. No entanto, os exames laboratoriais não identificaram veneno ou medicamentos entre centenas de substâncias analisadas. Apesar disso, a investigação apontou indícios que, segundo o MP, são compatíveis com sufocamento.
Além do delegado da Polícia Civil de Igrejinha, também devem prestar depoimento três peritos e 11 profissionais da saúde, como médicos, psiquiatras, psicólogos e enfermeiros. O pai das crianças, Michel Persival Pereira, 43 anos, também está entre as testemunhas. Ele vivia com Gisele e as filhas na residência onde ocorreram as mortes, no bairro Morada Verde, em Igrejinha. A irmã das gêmeas, que não residia com os pais, também será ouvida.
As mortes de Manuela e Antônia ocorreram com oito dias de diferença. Manuela morreu em 7 de outubro, com causa inicial apontada como hemorragia pulmonar. Após a morte de Antônia, em 15 de outubro, a polícia passou a tratar os óbitos como suspeitos e iniciou investigação. Em dezembro, Gisele foi indiciada e denunciada pelo Ministério Público. A defesa da ré, representada pelo advogado José Paulo Schneider, nega que ela tenha cometido os crimes e afirma que pretende esclarecer contradições e lacunas da perícia durante a instrução do processo. Um recurso foi interposto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) após o Tribunal de Justiça negar pedido de liberdade em fevereiro. A decisão da desembargadora Viviane de Faria Miranda considerou que, embora a causa das mortes não tenha sido identificada por substância tóxica, outros elementos justificam a manutenção da prisão.


