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Justiça começa a ouvir testemunhas no caso das gêmeas mortas em Igrejinha

Além da mãe acusada pelo crime, Judiciário pretende tomar hoje os depoimentos de 33 testemunhas
Depoimentos estão ocorrendo no Fórum de Igrejinha (Guilherme Kaiser)

Iniciou agora pela manhã, no Fórum da Comarca de Igrejinha, a fase de depoimentos de testemunhas no caso das mortes das irmãs gêmeas Manuela e Antônia Pereira, de seis anos, ocorridas em outubro do ano passado. A mãe das meninas, Gisele Beatriz Dias, 43 anos, é ré por homicídio duplamente qualificado, apesar de negar a autoria.

Na audiência desta sexta feira devem ser ouvidas 33 testemunhas, entre elas médicos, policiais, vizinhos, o pai das meninas e uma irmã das vítimas. A expectativa é que o interrogatório da ré também ocorra nessa data, embora o número elevado de testemunhas possa exigir o agendamento de nova sessão. Gisele está presa preventivamente desde outubro, na Penitenciária Feminina de Guaíba.

A acusação, conduzida pelo Ministério Público, sustenta que a mãe sufocou as filhas com uso de objeto macio, como travesseiro ou saco plástico, embora laudos do Instituto-Geral de Perícias (IGP) não tenham detectado substâncias tóxicas nos corpos das crianças. Inicialmente, a polícia trabalhava com a hipótese de envenenamento, levantada inclusive por profissionais de saúde que atenderam as meninas. No entanto, os exames laboratoriais não identificaram veneno ou medicamentos entre centenas de substâncias analisadas. Apesar disso, a investigação apontou indícios que, segundo o MP, são compatíveis com sufocamento.

Além do delegado da Polícia Civil de Igrejinha, também devem prestar depoimento três peritos e 11 profissionais da saúde, como médicos, psiquiatras, psicólogos e enfermeiros. O pai das crianças, Michel Persival Pereira, 43 anos, também está entre as testemunhas. Ele vivia com Gisele e as filhas na residência onde ocorreram as mortes, no bairro Morada Verde, em Igrejinha. A irmã das gêmeas, que não residia com os pais, também será ouvida.

As mortes de Manuela e Antônia ocorreram com oito dias de diferença. Manuela morreu em 7 de outubro, com causa inicial apontada como hemorragia pulmonar. Após a morte de Antônia, em 15 de outubro, a polícia passou a tratar os óbitos como suspeitos e iniciou investigação. Em dezembro, Gisele foi indiciada e denunciada pelo Ministério Público. A defesa da ré, representada pelo advogado José Paulo Schneider, nega que ela tenha cometido os crimes e afirma que pretende esclarecer contradições e lacunas da perícia durante a instrução do processo. Um recurso foi interposto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) após o Tribunal de Justiça negar pedido de liberdade em fevereiro. A decisão da desembargadora Viviane de Faria Miranda considerou que, embora a causa das mortes não tenha sido identificada por substância tóxica, outros elementos justificam a manutenção da prisão.