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Publicado em 23/11/2021 22:14 | Atualizado em 24/11/2021 14:16 Off

Do “Meu cinicário”: Cágado é o animal que conseguiu manter sua dignidade graças a um simples artifício ortográfico: o acento agudo.

LEVANDO (MUITO) A SÉRIO

Nestes tempos em que tanto se discutem os princípios seguidos pelos eleitos para defender, nos parlamentos, os interesses das populações (é esse o propósito das eleições), aventuro-me num assunto paralelo, embora ligado ao tema. Falarei sobre roupas, analisando a gravata. Eis um pouco de História.

Grosso modo a gravata tomou seu verdadeiro impulso como artigo do vestuário masculino – houve algumas ousadias para o público feminino – quase como um subproduto do uniforme de mercenários croatas (daí o nome cravate em francês) a serviço das forças da França durante a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648). Proteger o pescoço, nas baixas e nas altas temperaturas sempre foi uma circunstância ao longo dos séculos, principalmente, por parte dos mais expostos à vida ao ar livre, como era o caso daqueles homens. Esses soldados inovaram, usando um pano de tal maneira distintivo que excitou a vocação francesa criadora de moda. E passou a ser copiado e replicado desde então, deixando seu aspecto de vida ao ar livre, transformando-se num identificativo de sucesso social. Neste ponto vemos a ligação entre política e lutas em prol de alguma causa popular, como é o esperado de ocupantes dum cargo eletivo (ou não eletivo, pois há os tomados à força).

Segundo uma das frases do meu livro “Meu cinicário” eu jamais conseguiria ser deputado, senador, governador ou presidente da república, pois não usaria gravata. Nunca me habituei. Pode parecer estranho, mas há um consenso, ao redor do mundo, exigindo dos homens colocados nas funções de liderança política o uso do paninho croata pendurado no pescoço. Disso, as mulheres, estão livres. Faça uma rápida pesquisa visual, olhando as entrevistas, reuniões, congressos, qualquer ato oficial de qualquer forma de governo, e lá teremos os cidadãos engravatados. Mesmo alçados às funções públicas por vias transversas – você sabe do que falo –, sentem-se compelidos ao uso da gravata. Se esta constatação não é total, está perto da totalidade. Não importa o sistema de governo defendido, seu representante, certamente, estará usando gravata. Tanta gente “lutando” valorosamente para encontrar pontos de concórdia universal nos pensamentos, mas fechando os olhos àquilo que está bem abaixo do nariz, enfeitando seu pescoço. Não é emocionante?

Na verdade, este texto deve ser levado como uma homenagem ao deputado federal gaúcho (1975-1983), Aluízio Paraguassu Ferreira. Queria participar pilchado das sessões, em Brasília, porém foi punido por não seguir o rígido protocolo de vestimenta da Câmara. Ele sacou a seriedade da coisa!

Por Plínio Dias Zíngano
Professor, de Taquara
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