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Publicado em 13/09/2021 16:23 Off

Do “Meu cinicário” – Tanta gente lutando por um lugar ao sol! O problema é definir o “sol” e, principalmente, a sombra desejada! Isso evitaria muita desavença.

LÉXICO

E, no fim das contas, tudo se resume a uma questão lexical. Pode parecer bobagem, mas se você não conhece o vocabulário que costuma usar, pode acabar empregando léxico de maneira diferente do pretendido. “Ora quem vai falar coisas não pensadas?”, dirão alguns. Deixando de lado o aspecto irascível das discussões e mensagens impetuosas, onde aparecem aqueles textos – sim, as falas também são textos – a respeito dos quais, após um doloroso exame de consciência muitos vão para a internete choramingar desculpas, existem palavras ditas e escritas em sã consciência, porém em santo desconhecimento. Ou que, pelo menos, quando utilizadas, mostram alguma deficiência no domínio do idioma por parte do seu usuário. Na verdade, dependendo do objetivo do seu emprego, nem tem tanta importância. Ainda mais se os interlocutores também ignoram seu significado. É bem comum encontrarmos o termo “jovial”, como sinônimo de “juventude”, enquanto sua tradução é “alegre”, “divertido”. E, olhem, desconhecimento lexical pode criar situações embaraçosas. Por exemplo, numa redação, uma aluna descreveu a angelical heroína de sua história como alguém “vivendo na luxúria”; pretendia dizer “vivendo no luxo”. Obviamente, dependendo da intenção da autora, o resultado foi completamente infeliz.

Após esse introito, chego ao ponto. Talvez você nunca tenha se dado conta do uso da palavra “intransigente” por parte de políticos em geral e, principalmente, os autodefinidos como democratas (e todos assim de definem). Não é pequeno o número de candidatos a qualquer cargo eletivo, prometendo intransigência em algum assunto, almejando, com isso, conquistar eleitores. Querem, com o emprego de tal vocabulário, incutir no eleitorado a ideia de alguém lutando (luta, outra palavrinha sem-vergonha, nesse contexto), incansavelmente, pelos interesses de quem o elegeu. Entretanto aí tem um “mas” e muitos “poréns”. Como pode alguém, autoproclamado defensor da democracia, organização em que todos têm direitos iguais, não admitir ideias contrárias às suas e de seus eleitores?

Vejam, amiguinhos, a brincadeira é muito séria! Quando, em tese, a democracia é resultado do acordado entre as partes de um sistema, vem o seu representante eleito e diz “não” àquilo já decidido. Disso jamais escaparemos: nunca teremos a satisfação total. Se numa família, com poucos membros e todos tendo os mesmos ideais, é difícil atingir o consenso, imaginem essa família do tamanho de um país, não importando a quantidade de habitantes. Acima de dois, veremos dificuldades.             

Entretanto sempre haverá gente disposta a “lutar”, desinteressada e intransigentemente, por nós! Vocês conseguem acreditar?

Por Plínio Dias Zíngano
Professor, de Taquara
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