Conte um pouco sobre a sua história: Nasci em Taquara e cresci no interior da cidade. Vivi muito na casa da minha avó! Minha mãe sempre trabalhou vendendo produtos caseiros que ela mesma preparava… Cucas, salgadinhos, tortas! Brinco dizendo que meu berço ficava dentro da cozinha! Meu pai era professor de matemática, mas, muito jovem, foi diagnosticado com mal de Parkinson. Sempre batalhamos com uma situação financeira apertada. Cedo assumi a responsabilidade de ajudar em casa com pequenas tarefas; aos sete anos, já recebia mesada pelas minhas contribuições. Sou a filha do meio, tenho mais dois irmãos. Estudei no Dorothea e no Cimol. Depois de formada mudei para Porto Alegre e ingressei no curso Engenharia Química da UFRGS.
Como surgiu o interesse pela Engenharia Química? Eu tinha certeza de que não queria nada na área de humanas. Meu pai lecionou matemática e eu sempre gostei mais das exatas! No Dorothea tive uma professora de química maravilhosa (Vanice), foi ali o meu primeiro contato – na 8ª série. Decidi que queria fazer algo com química! Optei pela engenharia por me identificar com o perfil da indústria. Sempre trabalhei, juntei meu dinheiro para fazer cursinho em Porto Alegre e encarar o vestibular da UFRGS.
E a profissão de doceira? Eu já tinha boa noção de cozinha por acompanhar e ajudar no trabalho da minha mãe. Quando mudei para Porto Alegre, precisava de dinheiro para me manter. Então comecei a fazer produtos que não eram o foco dela: docinhos. Inicialmente, vendia na faculdade. Não imaginei a proporção que isso tomaria! Criei um perfil profissional próprio e abri meu negócio. Não teve um planejamento, foi natural. Voltei para Taquara e iniciei a Confeitaria Dona Luiza (nome em homenagem à mãe). Brinco que uma cozinha também é um laboratório, substituo os vidros por panelas! Além do talento para o preparo de doces, que considero nato, busco inspiração na fotografia – que é uma referência muito importante no meu trabalho. A apresentação do produto recebe atenção com o objetivo de encantar o cliente. Gosto dessa finalização! Inclusive, enxerguei aí mais uma oportunidade profissional; que é a montagem das mesas de doces em eventos.
Como você se define? Gosto muito de viver! Tenho tesão pela vida. Sou empreendedora, comunicativa e curiosa.
Uma habilidade especial: Criar coisas novas! E solucionar problemas.
O que gosta de fazer no tempo livre? Gosto muito de viajar. Aprecio ler – sobre os mais variados assuntos. Editar fotos também é algo que curto fazer!
Um livro: Ensaio sobre a Cegueira, José Saramago. Essa leitura me transformou em uma pessoa melhor!
Um filme: Clube da Luta
Um lugar: A casa da minha avó Anilda.
Quem você tem como exemplo? Meu namorado! Estamos juntos há nove anos, ele é meu porto-seguro. Admiro a capacidade que tem para lidar com situações extremas e manter a calma. E meu tio – o fotógrafo rolantense Nei Bernardes – pela superação profissional; criou, em Rolante, um nome internacionalmente conhecido.
O que gosta de ouvir? Rock. Mas a escolha da música também está associada ao momento.
O que lhe tira do sério? Sou estressada. Falta de comprometimento e injustiça me indignam. Compro briga!
Deixe uma mensagem para os leitores do Jornal Panorama: “Viva a vida intensamente.” Acredito que, por ser uma mensagem tão clichê, as pessoas acabam não dando bola pra isso.


