
Do “Meu cinicário” – A letra da lei é a mais analfabeta de todas. Ninguém a entende. Daí, resultam os furos por onde circula, enriquecendo, o sistema judiciário.
LIKE X DISLIKE
Mão fechada, com o polegar para cima, tem o significado de permitir algo bom. Em contrapartida, a mão na mesma situação, mostrando o polegar para baixo, significa algo não permitido, ruim. Não posso afirmar que sempre tenha sido uma convenção unânime no mundo – você sabe, cada lugar tem seus costumes – mas esses símbolos, talvez quase sem alteração, foram apropriados pela informática, principalmente nas redes sociais, comunicando essas ideias antagônicas. São os famosos LIKE e DISLIKE. E parece, atualmente, toda a atividade diante num computador tem um único objetivo depois de uma postagem: receber o máximo de dedos para cima e o mínimo de dedos para baixo. De preferência, nenhum no segundo caso. Sigam meu raciocínio!
Todos necessitamos aprovação para nossos atos. Não considero atitude reprovável por parte de um produtor de conteúdo. Mas há um porém bastante significativo nessa batalha em busca dos likes. Imaginemos um comentarista político em plena atividade, atuando nessa nova mídia, a internete, através de um saite só seu, um dos famosos “blogs”. Ele tem opiniões bem estruturadas e fala/escreve com clareza, abordando os assuntos de maneira sincera (segundo sua ótica, por suposto). Que esse comentarista/blogueiro queira ver como está a recepção às suas palavras tem toda a lógica. Pela quantidade de “positivos”, sua vaidade receberá uma boa massagem: é a aprovação de seus pensamentos. Porém – este é o “porém” mencionado acima – qual será seu comportamento diante dos dislikes, os detestáveis polegares para baixo? Havendo muitos “negativos”, tomará nosso articulista uma providência radical, trocando suas crenças? Seria uma providência muito de acordo com o mercado consumidor.
As empresas que, para vender mais, vivem da aprovação dos seus clientes, usualmente, fazem as detestáveis pesquisa de opinião, tentando eliminar prováveis desvios, com relação à melhor aceitação do distinto público. Até aí, tudo bem; perfeito! Uma organização precisa atender o gosto de sua clientela. É questão de sobrevivência. Agora, neste caso, estamos falando de crenças e raciocínio segundo premissas morais. Como poderia alguém mudar suas convicções, só porque seu mercado desgosta delas? Ou você crê no que fala/escreve, ou não. Adaptar-se, artificialmente, aos consumidores demonstraria tremenda falha moral.
Muita gente, vendo essa arapuca eletrônica, desabilita os polegares. É um novo posicionamento. Por exemplo, no caso dos meus textos, espero, sinceramente, que gostem das minhas conclusões. Se isso não acontecer, fiquem frios! Quem sabe, na próxima crônica eu aborde “suas verdades”! Este não é um produto adaptável às vontades do mercado.
Por Plínio Dias Zíngano
Professor, de Taquara
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