Do meu tuíter @Plinio_Zingano – O país mais poluidor do mudo não é capitalista. É a China comunista. Não é uma ironia?
Estive em Gramado na véspera do feriado da Proclamação da República. Desde minha chegada a Taquara, esse tem sido um passeio feito com gosto. Nos últimos meses, principalmente, em decorrência do problema acontecido com a estrada, a viagem (sempre achei estranho dizer “viagem” – dentro de Porto Alegre se consegue, fácil, a mesma distância) passou a ser postergada, mas retomei, com gosto, esposa, filho e neta a tiracolo, no dia 14.
Confesso, notei alguma diferença no tipo de decoração à qual estava acostumado nos últimos anos. Pareceu-me mais, digamos assim, comportada. Longe de ser uma crítica, é uma constatação muito pessoal. Esse tipo de julgamento, admito, carece de lógica. As coisas agradam ou desagradam. No meu caso, agradaram, apesar do ligeiro estranhamento! A maior alteração, naquilo a que me propunha encontrar, pois fazia parte da expectativa, foi a mudança da liturgia da iluminação às 21 horas. Liturgias vocês sabem, preparam a mente das pessoas para a sequência dos acontecimentos. Passamos a esperar pelo passo seguinte; sabemos qual será ele. É como música: ouvimos a primeira vez e, se gostarmos, ouviremos uma segunda e, então, ficaremos esperando pelo movimento seguinte. A mesma peça musical, apresentada com um arranjo diferente, já nos deixa alertas! Algo mudou, mas é a nossa antiga música. E, embora tenhamos apego por uma versão, passamos a gostar de outra. Foi assim no espetáculo de terça-feira (talvez seja diferentes nos outros dias), à frente do Palácio dos Festivais.
Interessante, mesmo, fora o clima criado pelas trilhas sonora e musical – ignoro se houve algum tipo de apresentação humana no decorrer, pois saí tão logo as luzes da rua foram acesas – foi o espetáculo luminoso dos telefones celulares da plateia, gravando vídeos. Centenas! Complementou o clima no qual estávamos imersos, o “Natal Luz”. Felizmente, o palco, representando uma casa, montado na parte alta da fachada do teatro onde é realizado o festival de cinema, permitia olhar para cima, sobre todos os celulares, facilitando a visão do lugar. Mas não pude deixar de prestar atenção a esse coadjuvante que, no caso, estava muito enquadrado no roteiro: muito brilho e cor.
Os telefones celulares são, atualmente, parte importante de qualquer espetáculo. Desconfio que os responsáveis pelas montagens teatrais, esportivas, comemorações de passagem de ano, musicais, já levem em conta sua participação. Lembrei da inauguração da olimpíada no Rio de Janeiro e de tantos outros eventos. É um xou à parte e bonito.
Apesar de aceitar de boa vontade sua presença (a silenciosa, como nesse caso), fico pensando nos objetivos de quem está operando o aparelho. Naquele momento, em vez de viver o espetáculo, vive o registro do momento para, mais tarde, reviver o momento registrado ao qual, praticamente, não assistiu. Meio confuso, não é?


