Polícia

Mãe denuncia monitora de escola em Parobé por agressão ao seu filho autista de cinco anos

Após registro do boletim de ocorrência, na Delegacia de Polícia de Parobé, monitora poderá responder processo por agressão a criança
Foto: Divulgação

Decidida a evitar que outras mães passem pela mesma situação vivida por ela, no último dia 22 de maio, Jussara Duarte Lorenzetti, moradora de Parobé, denunciou uma monitora da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Terezinha Ivone Homem, no bairro Jardim, por agressão ao seu filho, de cinco anos de idade e autista.

De acordo com Jussara, a criança frequenta a mesma escola desde o ano passado e, por ser especial, precisa do acompanhamento de uma monitora em sala de aula. O menino, que agora frequenta o Pré 2, nunca havia relatado nenhuma situação semelhante.

“Na segunda- feira (22/05), na hora da saída da escola, meu filho saiu da sala de aula chorando muito. A monitora disse que era porque ele estava com saudades da mãe, e que havia trocado a calça dele porque ele molhou no banheiro. Em casa, quando abri a mochila, a calça estava suja de cocô, assim como a roupa que ele estava vestindo. Então dei banho nele, mas meu filho não parava de chorar. Por qualquer motivo ele entrava em desespero”, conta a moradora de Parobé.

Por volta de 21h, o menino relatou que estava com dor na cabeça e, mesmo após tomar remédio, continuou chorando muito, segundo sua mãe.

“Achando tudo muito estranho, continuei perguntando se ele havia caído ou tinha acontecido alguma coisa na escola. Foi quando meu filho me contou que sua professora [monitora] havia batido duas vezes na cabeça dele porque ele fez cocô na roupa e ela mandou ele só fazer cocô em casa”, informa Jussara.

Na terça-feira (23/05), a mãe do menino procurou a Secretaria de Educação de Parobé e apresentou um vídeo, onde a criança relata tudo que contou à sua mãe, na noite anterior. E recebeu a informação de que a monitora seria afastada, enquanto seria realizada uma investigação interna na escola, e que o menino poderia retornar à sala de aula.

“Saí de lá com um pé atrás e então resolvi ir até a Delegacia de Polícia e registrei um boletim de ocorrência. Ela vai responder processo por agressão a uma criança. Lá fui orientada a também procurar o Conselho Tutelar, que solicitou uma avaliação psíquica do meu filho”, explicou a mãe da criança.

Em entrevista à reportagem do site da Rádio Taquara FM 105.9, na tarde de quarta-feira (31), Jussara contou que, após o ocorrido, o menino não quis mais retornar a EMEF Terezinha Ivone Homem. Passado mais de uma semana, a moradora de Parobé não foi procurada pela direção da escola.

“Em nenhum momento a diretora me ligou pra perguntar se meu filho estava bem ou que iriam investigar o acontecido. Apenas me disse, quando eu estive lá, no dia seguinte, que nada disso aconteceu porque ela estava junto na hora da troca. E que o meu filho não quis deixar a monitora trocar a calça dele, então ela foi lá ajudar e estava tudo bem. Um descaso total, como se uma criança de cinco anos fosse inventar algo do tipo”, reflete Jussara.

A mãe do menino contou ainda que, num primeiro momento, sentiu falta de interesse por parte da Secretaria de Educação de Parobé, mas depois de tornar a história pública foi procurada pela própria secretária municipal, Joana D’arc Wittmann.

“Meu filho ficou traumatizado com o acontecido, só chorava, toda hora chorava por nada e agora é que tá parando. Também teve momentos de febre e precisou, na semana passada, ir duas vezes ao médico, pois parou de fazer cocô. Aí, com dores na barriga porque não conseguia mais fazer suas necessidades, tive que dar remédio pra ele conseguir evacuar e essa semana já conseguiu fazer cocô”, comenta Jussara.

A moradora de Parobé conta que, na terça-feira (30), recebeu uma ligação da secretária Joana, para lhe auxiliar na organização da troca de escola e passar orientações sobre a matrícula no novo educandário que, a partir da semana que vem, o menino começará a frequentar.

Resposta da Secretaria de Educação de Parobé

Procurada pela reportagem do site da Rádio Taquara FM 105.9, a secretária de Educação de Parobé, Joana D’arc Wittmann, confirma que a secretaria soube do fato pela mãe da criança e imediatamente foi até a EMEF Terezinha Ivone Homem para saber do ocorrido.

“A gestão da escola foi ouvida e orientada a realizar o distanciamento imediato da monitora aprendiz para investigação. Porém, segundo o relato da escola, no momento em que a mãe alega ter acontecido as agressões, em que supostamente a monitora estaria sozinha com o menino, a diretora refere que estava com o menino e a monitora e que a denúncia deste momento não procede”, relata a secretária Joana.

A secretaria de Educação de Parobé enviou ainda uma nota, confirmando que o menino irá estudar na EMEF Ana Maria Fay dos Santos, no bairro Alexandria. E informou que a monitora em questão foi transferida para outra escola e que a secretaria está abrindo uma sindicância investigativa para averiguar os fatos. Confira o texto abaixo, na íntegra:

Primando sempre pelas crianças e adolescentes da rede de ensino, bem como, seguindo os protocolos da educação, imediatamente, a profissional referência da secretaria de educação foi até a escola para saber mais do ocorrido pela perspectiva das profissionais da educação, abrindo uma averiguação interna, e realizando orientações sobre os manejos necessários. A monitora foi transferida para outra escola, e estamos abrindo uma sindicância investigativa sobre o caso para averiguar os fatos.

A mãe, expressando desejo de realização de transferência do filho para outra escola, foi ouvida e as ações necessárias sobre tal medida já foram tomadas e a mudança de escola, à pedido da mãe será para a EMEF Ana Maria Fay dos Santos.

Cabe salientar que os aprendizes de apoio à turmas com alunos com deficiência e autismo possuem datas de formação específica, com enfoque no escopo de atuação, a qual inclusive ocorreu no dia 31 de maio de 2023. A Secretaria Municipal de Educação conta com apoio técnico de uma equipe de três profissionais, que realizam estudos de casos, observações técnicas e reuniões de devolutivas de acordo com as demandas trazidas pelas escolas com o objetivo de promover a qualidade de vida das crianças na escola e realizar os ajustes necessários com esta finalidade”.