
A Polícia Civil de Taquara informou que mais de 20 mulheres já procuraram a delegacia para relatar supostos casos de importunação sexual e posse sexual mediante fraude envolvendo um médico cardiologista preso preventivamente na manhã desta segunda-feira (30). Há até uma adolescente entre as vítimas.
De acordo com o delegado Valeriano Garcia Neto, responsável pela investigação, os novos depoimentos reforçam a existência de um possível padrão de atuação. Segundo ele, os relatos indicam que os abusos teriam ocorrido durante consultas médicas.
Conforme a apuração policial, o suspeito se aproveitaria da situação para se aproximar fisicamente das vítimas sem consentimento, sob justificativas como demonstrações de cuidado ou até mesmo alegações de cunho espiritual. Ainda segundo o delegado, há indícios de que o comportamento se repetiu ao longo de pelo menos dois anos.
Os depoimentos colhidos apontam que muitas vítimas ficaram sem reação no momento dos fatos e só decidiram procurar a polícia posteriormente. Parte delas também relatou que o investigado teria pedido sigilo após os atendimentos.
A Polícia Civil destacou que a divulgação do caso tem como objetivo encorajar outras possíveis vítimas a formalizarem denúncias. O delegado assegurou que todas serão ouvidas com atenção e terão a identidade preservada.
A prisão preventiva do médico foi cumprida em seu consultório, no Centro de Taquara. Após os procedimentos legais, ele foi encaminhado ao sistema prisional e, conforme a polícia, encontra-se atualmente em Porto Alegre, à disposição da Justiça.
Além da prisão, também foi cumprido mandado de busca e apreensão para reunir elementos que auxiliem na identificação de outras possíveis vítimas.
A defesa do investigado, representada pelo escritório Campana Advogados, informou que ainda não teve acesso completo ao inquérito. Em nota, afirmou que o médico nega integralmente as acusações e destacou que ele possui quase 30 anos de atuação profissional, com histórico pautado pela ética. A defesa declarou ainda que deve se manifestar novamente após análise dos autos.


