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Esta postagem foi publicada em 4 de abril de 2021 e está arquivada em Penso, logo insisto.

Mãos Limpas, por Plínio Dias Zíngano

Do “Meu cinicário” – Tens todo o direito de ser chato! Mas não exageres nas tuas manifestações ou serás, definitivamente, reconhecido como um. Ficará bem chato!

MÃOS LIMPAS

Ontem, sábado pela manhã, apesar do semilockdown imperante na cidade, precisei ir a uma farmácia. Qualquer ida a farmácias começa com a tradicional recepção de boas-vindas, simpaticamente, apresentada pelos vendedores: “oi!, tudo bem?”. Sei que eu, sim, talvez seja pouco simpático ao replicar: “se procurei uma farmácia é porque alguma coisa não está bem!”. Mas ranzinzices à parte, devo admitir que nem toda visita àquelas casas comerciais são, na realidade, casos extremos. No meu caso, era questão de logística. Um determinado medicamento de uso contínuo na família estava em via de chegar ao fim. Dentro das necessidades de manutenção e negociação de preços para o abastecimento continuar sem ser interrompido, visitei seis lojas, sendo duas da mesma rede (porém com condições burocráticas diferentes no tangente ao fornecimento). Fora essas visitas, entrei, ainda, em um banco (na sala de caixas automáticas, claro!); em um representante externo desse mesmo banco; e, finalmente, em uma fruteira. Ou seja, no espaço de uma hora, estive  em nove locais diferentes. Na porta de cada um desses lugares, o já indefectível álcool em gel destinado à higienização das mãos. Isso deu a média de uma limpeza a cada – deixem-me calcular – 6,66 minutos.

Veio-me à memória minha idade de 18 anos, quando a imprensa gaúcha punha em evidência um determinado político e sua linha de conduta. Era o deputado Fernando Ferrari e a campanha das mãos limpas, combatendo aquilo que, ainda nos tempos atuais, é a grande pedra no caminho de qualquer governo no mundo: a corrupção. Não consigo formar ideia, hoje, qual era a verdadeira posição de Ferrari, mas seu nome, no meu cérebro, ficou ligado àquele eslôgã. Infelizmente, seu tempo foi insuficiente para demonstrar suas verdadeiras intenções, pois morreu aos 41 anos num acidente aviatório em maio de 1963. Admito que um caso não tem ligação com o outro. Entretanto, a imaginação é livre e vai fazendo ligações, meio malucas às vezes, e os pensamentos vão surgindo. Quem sabe, possamos criar uma ilação metafórica. aproveitando o ato de tanto limpar nossas mãos.

Para encerrar, corrijo uma informação dada acima. Foram dez as limpezas de mãos. Ao chegar em casa, houve mais uma, como de lei. Além das solas de sapatos totalmente higienizadas, para o caso de o vírus ficar apenas ao rés do chão.

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