PORTO ALEGRE – Continua presa a advogada Mara Rozane Sarquiz, 52 anos, detida na semana passada sob acusação de tentar extorquir o prefeito de Riozinho, Airton Trevizani da Rosa. Mara foi presa quando deixava uma emissora de rádio de Rolante, logo após receber uma sacola com R$ 100 mil. Os advogados dela pediram um habeas corpus ao Tribunal de Justiça, que teve liminar negada na segunda-feira pela desembargadora Naele Ochoa Piazetta, relatora do caso. Ainda não há previsão para o julgamento definitivo do habeas.
Na ação, os advogados de Mara, Ademir e Rômulo Campana, sustentam a ausência dos requisitos e fundamentos para a prisão preventiva, que seria atentatória ao princípio da presunção de inocência. Alegam que a advogada tem conduta ilibada e afirmam que não foi Mara quem constrangeu o prefeito, tendo apenas lhe cobrado R$ 100 mil para tê-lo como cliente e rejeitar propostas oferecidas pelas vítimas do suposto ilícito sexual denunciado em Riozinho.
Ao negar o pedido de soltura, a desembargadora fez referência à decisão do juiz Juliano Fonseca, de Taquara, que determinou a prisão de Mara. No despacho, o magistrado disse que a investigação sobre a suposta extorsão já era realizada há meses, “inclusive com interceptação de comunicações telefônicas judicialmente autorizadas, havendo, nas palavras da autoridade policial, constrangimento sofrido pela vítima [prefeito], vez que, com a conduta da flagrada, foi incutido sério temor na vítima”.
A desembargadora acrescentou que os elementos colhidos apontam que Mara teria constrangido o prefeito a pagar elevada quantia em dinheiro sob pena de denunciá-lo como autor de crimes sexuais contra vulneráveis. A magistrada faz referência ao depoimento do prefeito Airton, que disse, quando da prisão de Mara Sarquiz, que estaria sofrendo ameaças da advogada imputando-lhe a prática de ilícitos graves, bem como ameaças de que o exporia perante a sociedade caso não pagasse a quantia em dinheiro.
Mesmo com a negativa de soltura, a desembargadora ressaltou que Mara, por ser advogada, tem direito a ser recolhida na sala do Estado-Maior da Brigada Militar. Por isso, a magistrada pediu informações à Justiça de Taquara se este requisito está sendo cumprido. Após, o habeas corpus será encaminhado para parecer do Ministério Público, quando será marcada a data de julgamento definitivo, pelos três desembargadores que integram a 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça (TJ), que é responsável pelo caso.
ENTENDA O CASO
– Desde o ano passado, diversas denúncias envolvendo crimes contra menores têm sido divulgadas em Riozinho. Na primeira delas, um suplente de vereador, que estava no exercício do cargo, foi denunciado por suposto abuso sexual contra menor. Rogério Faccio responde a processo em liberdade por acusação do abuso e, no final do ano passado, chegou a ser preso por suspeita de ameaçar testemunhas do caso.
– Ainda no final do ano passado, se tornaram públicas denúncias de ilegalidades envolvendo casos de adoção em Riozinho, que colocavam em xeque o trabalho do Conselho Tutelar. A advogada Mara Sarquiz apareceu em matérias veiculadas pela Record e RBSTV enfatizando as suspeitas de irregularidades em adoções no município. As suspeitas de ilícitos em adoções estão sendo investigadas pelo Ministério Público e a Polícia Civil.
– Neste ano, a advogada também sustentou irregularidades na eleição do Conselho Tutelar de Riozinho, que foi suspensa por decisão da Justiça de Taquara. O pleito aconteceria no último dia 17, mas agora aguarda novas definições por parte da Prefeitura, que terá de submeter a eleição ao acompanhamento do Ministério Público.
– Na semana passada, a advogada Mara foi presa sob acusação de tentar extorquir o prefeito de Riozinho para deixar de fazer denúncias contra o chefe do Executivo. Ela foi flagrada com uma sacola contendo R$ 100 mil em dinheiro. Autuada por extorsão, teve a prisão preventiva decretada pela Justiça.
Matéria antecipada com exclusividade por Panorama, na edição de 29 de abril.


