Natural de Taquara, Marcelo tem 43 anos, é professor de Educação Física no Colégio Santa Teresinha, ultramarotonista e fundador do grupo de corrida Santa Ad Movere. É casado com Mônica Dalmina e pai de Giulia Dalmina Raymundo, de 11 anos.
Por que a opção por cursar Educação Física?
Sempre gostei de atividades físicas e das aulas da matéria. Ainda no ensino fundamental eu decidi que seria professor de educação física, no médio consolidei a ideia e então prestei vestibular. Não me arrependo. No início da minha vida profissional cheguei a trabalhar em outros ramos, como em um escritório, por exemplo, mas parecia que eu ia ficar doente dentro destes ambientes fechados. Nas escolas e na educação física eu me encontrei.
Como iniciou sua história com as corridas?
Desde jovem eu corria, principalmente com amigos. Ao me tornar professor, esse gosto foi se intensificando com o tempo. Há uns cinco anos decidi levar a corrida mais a sério, correndo de modo organizado, me preparando, treinando, mas sem o intuito de me tornar um profissional. Me sinto bem quando corro, conheço lugares, e o principal: desafio meus próprios limites.
Quais as principais competições que você já correu?
Já corri em provas de 24 horas, tanto em equipe como em individuais. Ano passado participei de uma no Rio de Janeiro, onde percorri 166 quilômetros, dando mais de 400 voltas em uma pista de atletismo. Este ano disputarei pela quarta vez a corrida que vai de Torres a Tramandaí, correndo 82 quilômetros pela areia à beira mar. Mês passado, estive em Florianópolis participando do Praias e Trilhas, onde corri 84 quilômetros na ilha. Apesar disso, o mais marcante, certamente, é a primeira maratona que você completa, o desafio de superar seu próprio limite e mostrar pra si próprio que você é capaz. Lembrando: maratonas têm 42 quilômetros e provas que excedem esse número são chamadas de ultramaratonas.
Como você se prepara para as provas?
Basicamente, trabalho três itens: treino, alimentação e descanso. Esses são pilares fundamentais e igualmente importantes. Além disso, sempre mantenho metas, por exemplo, de participar de alguma corrida que vai acontecer daqui uns dois, três meses. Daí monto um treino específico para ela, com um trecho parecido com o que vou enfrentar. Entretanto, o Santa AD Movere tem uma rotina muito intensa, com treinos de dia e à noite em dias de semana e, em finais de semana, vamos a diversos locais participar de competições, além, claro, de treinar às vezes. Com isso, acabo ficando com um tempo um pouco mais restrito para meus treinos.
Por que você não quis ser um corredor profissional?
Meu desafio é sempre pessoal e cada um tem suas características, suas potencialidades. Meu objetivo não é treinar para ser melhor do que os outros, e sim para dar o melhor de mim. Mas também quero passar isso adiante, incentivar outras pessoas a correr.
Um lugar: Quero conhecer a Europa, mas não com pacotes de viagem. Quero ir de mochila, em uma aventura.
Um livro: Nascido para correr; coincidentemente, foi o último que li e achei muito interessante.
Quem você tem como exemplo?
Minha família, pela educação que me foi dada. Eles me ensinaram não com palavras, mas com ações, com exemplos. E é assim que estou educando minha filha, também no esporte, onde ela pratica esportes saudáveis e, até, já correu uma maratona de 10 quilômetros.
“ Mudança: Mude, mas comece devagar. Se estivermos no caminho certo, não importa muito a velocidade que se ande, porque a direção é mais importante. Lembre-se que a vida é uma só!
O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia!”. Clarice Lispector.”


