
Do “Meu cinicário” – Aviso de utilidade pública com patrocínio publicitário é pilantragem. Alguém lucra, vendendo informações públicas sem tê-las produzido.
MASCARADOS
Na semana passada, num programa na televisão – aos quais só assisto por absoluta falta de alternativa momentânea – vi Tadeu Schimidt, o condutor do Fantástico, da TV Globo, descrevendo como se comportava, usando a máscara protetora nestes tempos pandêmicos. O simpático (sem ironia) apresentador narrou seu envolvimento com o novo, e mais importante, item do guarda-roupa de homens e mulheres, crianças e velhos!
Disse ter uma boa quantidade, prontas para uso, pois não quer ser apanhado desavisadamente, qualquer que seja a situação. Pareceu-me bem coerente sua atitude. Afinal, é uma figura pública, cuja atividade profissional, ao contrário das de milhões de pessoas, não foi posta sob a vista escrutinadora da vigilância sanitária. O pessoal da imprensa deita e rola, deslocando-se com liberdade total pelas ruas do mundo, como se donos dele fossem, enquanto nós, cidadãos comuns, pouco importando quem, estamos imprensados (perdão: o trocadilho foi inevitável) pela situação, muitos amargando a perda do emprego. Entretanto, uma afirmação sua deixou um pouco a desejar. Falou que, tendo posto o equipamento protetor – a máscara, claro – não mais lhe encosta as mãos até chegar a hora de retirá-la. Parafraseando todos os programas televisivos produzidos nos Estados Unidos, atrevo-me a interjeicionar: “uau!”.
Esse Tadeu é demais! Admito que as instruções determinem tal procedimento, visando a obter melhor proteção. Quando um manual é criado, descrevendo novo equipamento, pensa-se, apenas, nas condições ideais para as quais ele foi feito. Mas, diante das realidades, conseguir executar as novas regras requer, às vezes, seres humanos com grande autocontrole e desenvolvimento mental. No caso tratado aqui, praticamente, seriam necessários monges tibetanos! Invejei o cara! Colocar a máscara e só retirá-la, sabe-se lá, após quanto tempo ininterrupto, sem nem, sequer, dar uma coçadinha no nariz, ultrapassa meus mais ousados pensamentos. Sei, sou um homem imperfeito e não atingi desenvolvimento ideal exigido para usar simples máscaras protetoras contra vírus. Quando as coloco, até chegar à porta do apartamento, meus óculos já estão embaçados. Certamente dirão: “basta tirar os óculos”. Ótima ideia! Alguma outra, assim, inteligente, antes de eu rolar pelas escadas devido à visão prejudicada? E contra coceiras, mais alguém tem sugestão?
Tenho seguido as determinações oficiais, mas, cá entre nós, andar mascarado é um porre!
Por Plínio Dias Zíngano
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