Polícia
  OPERAÇÃO KRAKEN

Megaoperação contra facção envolvendo mais de 1,3 mil policiais é realizada em cidades do Estado incluindo Parobé, Igrejinha e Três Coroas

Em Igrejinha, uma caminhonete Fiat/Toro, que estaria em nome de 'laranjas' da facção, foi apreendida. A ação é considerada "a maior deste tipo da história".
Foto: Divulgação/Polícia Civil

Uma megaoperação, envolvendo mais de 1,3 mil policiais, está sendo realizada na manhã desta terça-feira (19), em 38 municípios do Rio Grande do Sul e mais três estados: Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul. A ofensiva, batizada de Operação Kraken, tem a coordenação da 1ª Delegacia de Polícia de Sapucaia do Sul. A ação da Polícia Civil é contra esquema de lavagem de dinheiro de facção criminosa do Vale do Sinos, que atua em diversas cidades, incluindo no Vale do Paranhana.

Segundo a Polícia, a ação acontece após cerca de um ano e meio de investigações e tem por objetivo atacar as finanças de uma das maiores facções do Estado, especializada no tráfico de armas e drogas. Ao todo, estão sendo cumpridas 1.368 ordens judiciais. Na região, estão sendo utilizados 23 policiais na megaoperação que estão cumprindo mandados nos municípios de Parobé, Igrejinha e Três Coroas, conforme o delegado Heliomar Franco, titular da Delegacia Regional de Gramado.

De acordo com o delegado Heliomar, uma caminhonete Fiat/Toro foi apreendida há pouco em Igrejinha. “Um veículo foi apreendido em Igrejinha, provavelmente fruto de fraude, lavagem de dinheiro, ocultação de bens. [A caminhonete] estaria em nome de ‘laranjas'”, destaca Heliomar.

Ação considerada a maior da história

A ação, considerada “a maior deste tipo da história” da instituição conta também com o apoio de outras polícias, investiga cerca de 200 criminosos e visa apreender judicialmente um valor aproximado de R$ 50 milhões. Somente de prisão são 66, sendo que alguns estão sendo cumpridos dentro de 14 presídios— um deles federal —, tendo como alvo líderes que comandavam crimes de dentro das cadeias.

A ofensiva ainda visa apreender 102 veículos e duas aeronaves, bem como 38 imóveis em várias cidades. A polícia também obteve do Judiciário 812 bloqueios fiscais, financeiros e ligados à bolsa de valores. Houve o sequestro judicial de 190 contas bancárias.

O responsável pela Operação Kraken, delegado Gabriel Souza, diz que há ainda o cumprimento de 273 mandados de busca em 38 cidades do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul. Segundo Souza, o objetivo básico é atacar as finanças de uma das maiores facçõesdo Estado que está por trás do tráfico de armas e drogas, inclusive com o envio de entorpecentes por meio de drones para penitenciárias, mas também envolvida no roubo de carros e em assaltos. A organização também se envolveu na disputa com outro grupo, de Porto Alegre, que deixou 25 mortos em pouco mais de um mês.

Além da Polícia Civil, participam as polícias de SC, PR e MS, assim como Brigada Militar, Corpo de Bombeiros, Polícia Rodoviária Federal, Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) e Departamento Penitenciário Nacional (Depen).