Me surpreendi positivamente quando li uma reportagem sobre a história de Willi Seewald. Apelidado de Didi, pela família, ele nasceu em Fazenda Fialho, interior de Taquara, e se destacou, no seu tempo, por ter sido o primeiro atleta gaúcho a participar das Olimpíadas, em 1924, na modalidade do atletismo. Ele disputou lançamento de dardo e conquistou o 6º lugar, sendo que ele mesmo fabricava seus dardos. Me surpreendi por não saber deste feito relevante, que deveria ser lembrado e louvado por nós taquarenses. Sua história deveria servir de estímulo para nossos alunos, e até uma estátua do Didi poderíamos erguer em Taquara, pois, como sabemos, o esporte, em muitas ocasiões, pode “salvar” crianças e adolescentes dos caminhos ruins da vida.
Lembrei desta nossa “ignorância histórica” quando li, no Panorama (dia 20/07, fl. 21), a matéria sobre a inauguração do novo Plenário da Câmara de Parobé, que recebeu o nome do seu Irineu Linden, recentemente falecido. Indiscutível a importância do homenageado para Parobé, mas fiquei pensando, com meus botões, o que será que fizeram com o nome que antes denominava o mesmo Plenário? A Câmara de Parobé, certamente por justos motivos, havia batizado o Plenário com o nome do meu avô, “Hélio Cardoso”. Sabemos que ele foi responsável pela organização e participou ativamente da fundação daquele Poder Legislativo, embora não tenha sido vereador. Assim como o Plenário da Câmara de Taquara, e de uma sala “nobre” da nossa Prefeitura, o nome do meu avô ficou registrado porque sua passagem deixou marcas positivas aos que ficaram. Mas, lembrando e lamentando o título deste artigo, destaco a felicidade do meu ex-colega de trabalho Marcos Linden, filho do “novo” homenageado da Câmara de Parobé, quando na matéria do jornal agradeceu pela memória do seu pai, acreditando que ficará “eternizada” naquele espaço público. Numa sociedade de memória curta, verificamos que tal “eternidade” dura poucos anos, muitas vezes ao sabor das conveniências políticas da ocasião, outras vezes por pura ignorância e falta de cultura e educação mesmo, como no caso do ilustre desconhecido taquarense Didi, acima mencionado. Faço votos à família do seu Irineu Linden que a lembrança do seu nome, pela comunidade de Parobé, seja longa e eterna, enquanto dure.
Hélio Cardoso Neto
Advogado


