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Publicado em 29/10/2021 14:41 Off

Metaverso e o futuro da Internet além dos navegadores

A computação é uma área de evolução constante, podemos ver isso no poder de processamento dos computadores, quantidade de aplicativos que conseguimos utilizar em paralelo em um computador ou no quanto os telefones celulares evoluíram num curto período de tempo, passando por telas monocromáticas para telas de alta resolução em 10 anos.

A Internet quebra essa sensação de evolução constante, embora seja possível observar uma evolução no design de páginas web, suas funcionalidades são as mesmas desde sua criação. A entrada da Internet em dispositivos móveis foi uma oportunidade de criar algo novo, mas a Internet apenas foi adaptada para telas menores, permitindo uma melhor visualização nos mesmos. Eis que em 2021 o termo Metaverso começa a aparecer em entrevistas no planejamento de várias empresas de tecnologia.

Metaverso é o termo que está sendo utilizado para designar um mundo virtual no qual o usuário pode se relacionar com o conteúdo da Internet de forma mais humanizada. Por exemplo, seu perfil numa rede social seria semelhante a uma casa, onde você guardaria todas as informações que acha relevantes e seus amigos nessa rede tem acesso a essa casa. Se eles querem acessar suas fotos, eles podem pegar um álbum de fotos e folhar, como se fosse um álbum físico. Esse é só um exemplo, mas a verdade é que não se sabe muito bem qual seria a interação ideal num mundo desses. No entanto, elementos presentes em todas as ideias de Metaverso moderno são a utilização de mundos em três dimensões, interação através de realidade virtual e acesso paralelo entre o mundo com o Metaverso através de realidade aumentada.

A origem do Metaverso está nos jogos digitais e pensa-se que sua transição para um mundo representativo da Internet teria um conjunto de regras e mecânicas semelhantes aos mesmos. Talvez você lembre de vários mundos virtuais que já foram tentados no passado, como o Second Life que gerou certo frenesi no seu período auge, mas depois caiu no limbo. Mundos virtuais focados em construção e utilização do que foi construído por outros usuários, como Roblox, podem ser vistos como parentes não muito distantes dos Metaversos.

Em 2021, o termo voltou a povoar os noticiários de tecnologia quando o Facebook passou a falar abertamente de Metaversos substituindo o formato tradicional da Internet. O Facebook tem investido de forma radical em Metaverso, sendo que sua plataforma de testes, o Facebook Horizon, está ativa desde 2019. Outras empresas como Alphabet (Google), Microsoft, Epic e Unity também tem investido em Metaverso de forma progressiva. É possível ver o nível de investimento na quantidade de novos empregos que projetos teste de Metaverso geram. Só o Facebook estima contratar 10 mil novos funcionários apenas para desenvolvimento de Metaverso. Parecem muitos funcionários, mas leve me consideração que jogos digitais AAA possuem equipes de 300 a 1500 funcionários para produzir experiências de 20 horas. Um Metaverso é planejado para criar experiências permanentes 24 horas, 7 dias por semana. Além disso, são universos que imaginam mais de um tipo de usuário, permitindo criar vários tipos de experiências.

O tipo de funcionário buscado pelas empresas para desenvolvimento de Metaversos é bem diverso e difere bastante dos desenvolvedores Web dos dias atuais. São desejáveis conhecimentos de ferramentas de desenvolvimento de jogos (Game Engines) e de ferramentas de modelagem 3D. Exatamente o mesmo perfil dos desenvolvedores de jogos digitais, o que pode levar a uma dificuldade para fechar tantas vagas, já que empresas grandes de jogos já possuem dificuldades para encontrar profissionais para fechar suas equipes.

No dia do fechamento desse texto (28/10/2021), o Facebook (a empresa, não a rede social) mudou o seu nome para Meta, demonstrando novamente sua fé no futuro do Metaverso.

Por Guilherme Schirmer da Costa
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