
Meteorologistas estão analisando dados de estações meteorológicas e vídeos publicados em redes sociais para tentar explicar o que ocorreu nesta quinta-feira (26/1) em Taquara. O forte temporal registrado no final da tarde e começo da noite provocou muitos estragos, com destelhamentos, quebradeira de vidros, placas arrancadas, centenas de árvores caídas e postes de energia derrubados.
Segundo as análises de membros da Metsul Meteorologia, publicadas no Jornal NH, o fenômeno é classificado como “downburst”. Tratam-se de microexplosões atmosféricas que, segundo os profissionais, podem produzir estragos tão graves quanto os de um torno. O vento, conforme os meteorologistas, pode ter ultrapassado os 120 quilômetros por hora.
“Nuvens que avançaram do Oeste gaúcho geraram poderosas áreas de instabilidade no Leste gaúcho ao encontrar o ar mais quente que estava sobre a região. No final da tarde, na hora do temporal em Taquara, um grande aglomerado de nuvens de grande desenvolvimento vertical do tipo Cumulonimbus (Cb) com características de um sistema convectivo de mesoescala podia ser visto nas imagens de satélite a Oeste da Lagoa dos Patos”, explicou a Metsul em seu site.
A empresa acrescenta que imagens de vários vídeos analisados do momento do temporal permitem descartar a possibilidade de um tornado. “A ferocidade do vento e a gravidade dos danos leva muitas pessoas a suspeitarem de tornado. A análise dos vários vídeos da tempestade não sugerem, porém, que tenha sido um tornado a causa do vento destrutivo na cidade de Taquara”, completa a Metsul. “Tornado é um fenômeno que atravessa uma faixa limitada de terreno, deixando um rastro de destruição numa espécie de linha (irregular) por onde passa. Os danos observados na cidade de Taquara ocorreram numa zona muito ampla em que os danos estão dispersos por muitos pontos”, explica a empresa.
A Metsul acrescenta que os vídeos mostram vento destrutivo na horizontal e por um período prolongado e não de poucos segundos, como ocorreria em um tornado. “São indicadocativos sim de que se tratou de um downburst, ou uma micro-explosão atmosférica, que se caracteriza por uma corrente violenta descendente de vento”, reforça a empresa. “Apesar de estações meteorológicas no município terem indicado vento de 83 km/h, os vídeos são claros em mostrar que a velocidade do vento foi muito superior. As rajadas nas imagens de diversos registros gravados sugerem rajadas que excederam facilmente 100 km/h e que podem em alguns pontos ter atingido 120 km/h a 150 km/h”, destaca a Metsul.
A RGE informou que 8,5 mil clientes estão sem luz em Taquara às 7h50min. Em entrevista à Rádio Taquara FM 105.9, a prefeita Sirlei Silveira informou que as equipes da administração municipal estão preparando levantamentos, junto com a Defesa Civil estadual, para decretar situação de emergência em Taquara.


