
No último dia 29, os pais de Hariel Correa da Rosa levaram ele e a irmã gêmea para consultar na emergência do Hospital Bom Jesus, em Taquara. Após atendimento por médica de clínica geral, as crianças foram liberadas, com medicação para sintomas gripais e de conjuntivite.
A irmã mais velha dos bebês, de 1 ano e dois meses, já estava internada na casa de saúde. Com isso, a família se revezava no cuidado dos gêmeos e acompanhamento da menina. Menos de 24 horas depois da consulta de Hariel, ele foi encontrado pálido e sem respiração. Os pais denunciam suposta negligência médica, que será investigada pela polícia.
Como ocorreram os fatos, segundo a mãe
Luana Chaiane de Souza Correia, 24 anos, mãe das crianças, relatou à Rádio Taquara os acontecimentos. “Na quinta-feira (29), levei eles ao hospital, onde uma médica de clínica geral atendeu, falando que era só gripe e conjuntivite. Hariel estava pálido, chorava e já não saia mais voz. Antonella (a irmã gêmea, também de 37 dias) tossia e espirrava bastante. [A médica] disse que não iria examinar pois estava sem ar condicionado na sala e estava muito frio“, comenta Luana, questionando a atitude da plantonista.
A mãe e o pai estavam revezando o cuidado com os pequenos, visto que precisavam voltar ao hospital para ficar com a filha mais velha. Segundo a família, os gêmeos eram amamentados de 3h em 3h.
A mãe de Chaiane, avó das crianças, foi quem encontrou Hariel sem vida, na sexta-feira (30). “Minha mãe chegou (para cuidar das crianças). Antonella estava chorando e ela foi amamentar e trocar ela, quando foi a vez de Hariel ele já estava sem vida, pálido“, relata Luana.
A acusação de suposta negligência médica
No mesmo dia, a família registrou o boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia de Taquara. Os familiares questionam a conduta da médica que, segundo eles, não examinou os bebês de forma física. “Meu filho morreu menos de 24 horas depois que procurei o hospital. Isso foi totalmente negligência médica. Eu não aceito isso nunca! O hospital não quis nem atestar o óbito do meu filho“, diz Luana.
Segundo a família, a irmã gêmea de Hariel teve piora do quadro clínico e precisou ser internada no Hospital Santo Antônio, em Porto Alegre. “Dizer que meus filhos estavam bem? Como bem se nem tirou a coberta dele? Nem olhou na cara dele? Foi conhecer meu filho depois de morto“, indaga a mãe.
O Hospital Bom Jesus é administrado pela Associação Hospitalar Vila Nova. Em nota divulgada na sexta-feira (6/6), o Hospital Bom Jesus afirma que o atendimento ao paciente “seguiu todos os protocolos da OMS [Organização Mundial de Saúde]” e que a conduta médica foi adequada ao quadro clínico apresentado, “sem sinais de alerta ao exame”. A nota ainda reforça que a família foi “orientada e acolhida” e lamenta a morte do bebê. “O caso está sendo investigado pelos órgãos responsáveis e a Instituição está no aguardo deste desfecho para tomar as devidas condutas”, diz o comunicado.

Investigação da Polícia Civil
A delegacia de Polícia Civil de Taquara, sob reponsabilidade do delegado Valeriano Garcia Neto, segue investigando o caso. As autoridades colhem o depoimento dos familiares e fizeram o pedido de necrópsia ao Instituto Geral de Perícias (IGP).
“Estamos esperando o laudo ficar pronto, mas te digo: a justiça será feita! Eu não vou deixar nenhuma mãe passar pelo que passei. Nosso município necessita urgente de pediatras“, enfatiza a mãe.
Cenário atual
A irmã gêmea de Hariel foi diagnosticada com bronquiolite aguda e segue no Hospital Santo Antônio, em Porto Alegre, onde foi sedada e entubada. A irmã mais velha também está hospitalizada na Capital. A menina, na ocasião, estava no Bom Jesus, mas foi transferida para o Hospital Vila Nova.
A família se reveza para cuidar das irmãs, que estão internadas em hospitais diferentes em Porto Alegre, e conta com o auxílio de parentes. Apenas o pai das meninas está empregado. Doações para ajudar com o custeio de despesas podem ser feitas pelo pix 042.598.180-07 (CPF), em nome de Luana Chaiane de Souza Correia, Banco Inter.


