Haiml & etc.
Esta postagem foi publicada em 3 de junho de 2011 e está arquivada em Haiml & etc..

Meu pedaço de vida “selvagem”

Das salas altas do colégio Santa Terezinha, já na quarta e quinta séries, ficava eu a mirar as colinas que circundam Taquara e elas, em suas alturas, também encontravam meus olhos e em algumas delas em algum momento subi para me deparar com outras que se estendiam mais adiante. Como seria ir por elas? Que revelariam? Ah, chamavam-me como o canto das sereias!
Queria seguir por estradas do interior sempre em frente arrumando um bico aqui e ali nas casas que encontrasse em troca só de alimento e pouso. Mas nunca fiz isso, assim como nunca peguei carona com dedo erguido e mochila nas costas, como também nunca dirigi, nem tenho carro ou moto. De certa maneira curti o sonho de “viajar” pelos interiores quando meu pai, como cobrador da firma agrícola em que trabalhou, numa velha Variant azul me levou em suas cobranças. Foi uma delícia entrar tardes e manhãs em tantas paisagens novas.
Sobre minhas caronas, peguei-as aos 15 anos, após meus primeiros eufóricos salários; eram pesquisadas, combinadas e o destino era Tramandaí. Na capital praiana, terra para nós, adolescentes, atemporal, tudo era o máximo, os sentidos vibravam com mais intensidade e lá estávamos livres e soltos para ficar, em bando, sentados pelas calçadas ou indo pra lá e pra cá em nossas longas cabeleiras, camisetas de rock e penduricalhos hippies energizados não por porcarias químicas, mas por ares marítimos carregados de promessas e aventuras. Ah o Sol a despertar sobre o mar!
E houve o saudoso Passo da Ilha, em São Chico. A turma variava de ida para ida, o que não impediu que todos os acampamentos fossem muito legais, pois por mais diferentes que fossem os integrantes de cada empreitada, lá tudo se harmonizava, convivíamos legal, todo mundo se respeitava e em qualquer fogueira você era bem vindo para dividir uma prosa, um rango que estivesse sendo feito e um trago. Camaradagem, paz, respeito entre si. Todo mundo se sentia bem, cada um da maneira que queria e ao mesmo tempo fazia você se sentir bem.
Inesquecíveis também os acampamentos nas terras de um falecido tio, lugar espetacularmente divino, um paraíso de deuses nórdicos além das costas do lago São Bernardo. Lugar de gnomos e outras coisas. E então houve o último acampamento, chave de ouro: Aparados da Serra – coisa de outro mundo!
Não viajei com mochila nas costas e dedo no ar, mas tive meus momentos de “wild life” e de “on the road”, e esses me permitiram ir além dos dias/horas costumeiros que nos cercam, e disso trago em mim sensações e impressões que não foram feitas para nenhuma máquina fotográfica, mas só para a alma.

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