Informática
Esta postagem foi publicada em 25 de setembro de 2020 e está arquivada em Informática.

Microsoft Adquire Zenimax, por Guilherme Schirmer da Costa

Microsoft Adquire Zenimax

No dia 21 de Setembro de 2020 o mundo da tecnologia foi surpreendido com a notícia de mais uma aquisição da Microsoft. Porém, dessa vez não foi uma aquisição de uma startup ou de um estúdio de jogos independentes, mas sim a compra da Zenimax Media, controladora de estúdios famosos como Bethesda, Id e Arkane. A compra da Zenimax é mais um passo para fortalecer a biblioteca de jogos exclusivos para a nova geração de consoles de videogame. Nos ultimos anos a Microsoft tem investido em estúdios independentes de renome como Double Fine, Obsidian e Ninja Theory. Lembrando que o lançamento do novo console da Microsoft, o Xbox Series X está marcado para o próximo dia 10 de Novembro e que diversos jogos já foram apresentados em eventos durante o ano de 2020. Observando que os jogos da Zenimax sempre foram lançados para todas as plataformas disponíveis no momento (sendo que alguns jogos transcenderam várias gerações, como Elder Scrolls Skyrim), talvez a aquisição seja uma forma de criar controle sobre quais jogos serão lançados em plataformas “adversárias” e quais serão exclusivos para as plataformas da Microsoft. É o caso da aquisição da Mojang, que permitiu que a Microsoft tomasse o controle de Minecraft, um dos jogos mais populares das últimas décadas. Minecraft segue sendo vendido em todas as plataformas, uma forma da Microsoft se manter ativa em plataformas alheias com uma boa imagem, já que Minecraft segue sendo um jogo querido por diversos jogadores ao redor do mundo. Em comparação com a aquisição da Mojang, que custou 2,5 bilhões de Dólares a Microsoft, a Zenimax foi adquirida pela bagatela de 7,5 bilhões de Dólares, uma das aquisições mais caras da história dos videogames.

No entanto, com a compra da Zenimax a Microsoft cria uma situação que não se observava a anos na indústria de jogos: A proximidade da extinção das empresas chamadas AAA. Para aqueles que não conhecem a indústria, AAA ou Triple A é o termo utilizado para estúdios que produzem jogos com orçamentos elevados, na casa de dezenas de milhões de Dólares. Essas produções mobilizam centenas de trabalhadores de diversas áreas, muitas vezes divididos em mais de um continente. Jogos desse calibre tem diminuído nos últimos anos. Observando a geração do Playstation 4 e do Xbox One em comparação com as gerações anteriores, fica claro que produções caras diminuíram e que jogos produzidos por estúdios menores e com menos ambição técnica tem se tornado mais populares. Considerando que diversos jogos produzidos por empresas que apostam em jogos AAA tem obtido resultados nada satisfatórios, a compra da Zenimax parece uma aposta cara e muito arriscada. Basta observar o fracasso de Fallout 76 e os resultados pouco animadores de Dishonored 2 e Quake Champions para perceber que entre vários sucessos, exitem grande projetos que não tiveram o retorno esperado. Esse não é um problema apenas da Zenimax, outros grupos também tem apresentado resultados pouco animadores. Do ponto de vista do público, pode ser uma forma de reformar a empresa e fazer a mesma voltar aos dias de glória. Porém, às vezes é uma forma de reduzir o número de marcas e focar apenas nos jogos que realmente alcançam um lucro interessante para a empresa. É uma faca de dois gumes, se por um lado pode ser positivo para os jogadores, também pode ser o ponto final em diversas franchises famosas. Só o tempo dirá se essa manobra da Microsoft realmente vai agradar os jogadores, quem realmente importa nessa equação.

Guilherme Schirmer da Costa
[Leia todas as colunas clicando aqui]

Os artigos publicados no site da Rádio Taquara não refletem a opinião da emissora. A divulgação atende ao princípio de valorização do debate público, aberto a todas as correntes de pensamento.
Participe: [email protected]