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Esta postagem foi publicada em 12 de março de 2022 e está arquivada em Informática.

Microsoft e o mercado de jogos digitais, por Guilherme da Costa

Microsoft e o mercado de jogos digitais

Microsoft talvez seja um dos nomes de empresas mais lembrados quando pensamos em tecnologia da informação. Seja porque a grande maioria dos computadores pessoais utilizam sistema operacional Windows ou porque diversos sistemas empresariais famosos funcionam com base em algum produto da Microsoft. Em meados dos anos 2000, a empresa fundada pelo bilionário Bill Gates tomou uma decisão curiosa: Entrar no ramo dos jogos digitais. Não só isso, entrar no mercado com um console de videogames, movimento muito arriscado em qualquer período histórico dos jogos digitais.

O Xbox, embora tenha sofrido com a concorrência pesada do Sony Playstation 2, conseguiu obter um grande número de fãs e vem sendo atualizado de forma constante desde então. A Microsoft tem arriscado em diversas áreas, como a de jogos online, marketplaces de jogos digitais e controles de movimento (como esquecer do Kinect?), mas nenhum desses movimentos foi suficiente para chegar a liderança do mercado, sempre dividido entre Nintendo e Sony. Embora a Microsoft sempre estivesse ligada a grandes empresas de desenvolvimento, teve poucos contratos de exclusividade de títulos famosos. Seus principais estúdios acabaram vendidos ou fechados e várias franquias antigas do Xbox estão na geladeira por anos. Em 2018, com a iminência do lançamento do novo Xbox, o Series One, a Microsoft aposta numa sequência de aquisições de estúdios em ritmo frenético. Inicialmente, os estúdios adquiridos eram de pequenos estúdios independentes com foco em estilos bem específicos de jogos. Caso da InXile e da Obsidian, ambos estúdios focados no desenvolvimento de jogos estilo RPG. Após uma série de aquisições de pequenos estúdios, o mercado já falava de uma grande compra. Eis que a Microsoft anuncia a compra da Zenimax, empresa dona dos estúdios Bethesda e Id Software por US$7 bi. A compra assustou o mercado, já que a Zenimax era uma das principais empresas de jogos digitais da atualidade, dona de franquias adoradas como Doom, Elder Scrolls e Fallout. A aquisição e por consequência, uma possível exclusividade de marca dessas franquias em plataformas da Microsoft já seria considerada uma estratégia arriscada porém, com grandes chances de virar o jogo no mercado dos jogos digitais. No entanto, não satisfeita com a Zenimax, a Microsoft bancou a fortuna de US$68 bi para a compra da Activision Blizzard, uma das gigantes do mercado e dona de franquias bilionárias, como Warcraft e Call of Duty. O movimento da Microsoft é arriscado, adquirir estúdios grandes não é uma certeza de lucro no futuro, muito pelo contrário, a própria Activision Blizzard tem passado uma série de problemas relacionados a aceitação de seus novos produtos e desde 2018 por uma série de acusações relacionadas a abusos de trabalhadores.

Enquanto isso, Sony e Nintendo seguem uma trajetória menos truculenta em relação a suas aquisições. Enquanto Nintendo segue apostando em suas marcas famosas, como Super Mario e Pokemon, a Sony aposta em uma estratégia mais aberta, lançando jogos para outras plataformas, buscando manter a liderança do Playstation como melhor plataforma para jogos em realidade virtual e ocasionalmente, adquirindo algum estúdio com algum renome, como a compra da Bungie, empresa famosa pelo jogo Destiny.

A Microsoft tem investido em uma estratégia interessante porém arriscada para tentar se manter no mercado de jogos digitais. A compra da Activision Blizzard é uma das mais caras da história da tecnologia da informação, o que leva os especialistas a pensarem na nova estratégia da Microsoft como um investimento a curto prazo, considerando os produtos e marcas já existentes adquiridas. No entanto, é necessário lembrar que jogos digitais são produzidos em um processo demorado, às vezes de anos para chegar no ponto de lançamento do produto. Resta saber se a Microsoft conseguirá administrar tantas franquias em paralelo com sucesso como a Nintendo ou irá abandonar todas as franquias e focar em dinheiro fácil, como a Konami.

Por Guilherme Schirmer da Costa
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