Quais são as lembranças marcantes sobre sua história? Sem dúvidas, as viagens que fiz. Brinco que “coleciono” destinos. Entre eles, estão Canadá, Califórnia (EUA), Hawaii (EUA), Dinamarca, Suécia, Holanda, Itália, França, Patagônia (Argentina) entre outros.
Conte-nos de sua relação com Taquara: É a cidade em que nasci e que vivi até meus 19 anos. Tenho um grande carinho por ela. Quando estava na faculdade de moda desejava muito morar em Porto Alegre para poder estagiar em grandes empresas do ramo e, de fato, consegui grandes oportunidades. Depois de formada, trabalhei como estilista em algumas fábricas de calçado aqui da região, então acabei voltando a morar com meus pais em Taquara durante a semana. Quando larguei a carreira de estilista para seguir meu negócio próprio, achei que minhas raízes estavam fixadas lá em Porto Alegre. Contudo, para minha surpresa, aqui estou novamente, contratada pelo Senac como docente do curso de Consultoria de Moda.
Afinal, o que faz uma Personal Stylist? Através da forma de se vestir, oriento pessoas a encontrarem seu estilo pessoal e assim se sentirem melhores consigo mesmas. Promovo a aceitação e valorização de quem são. Para que então se transformem em suas melhores versões. Quero que meus clientes encontrem seu lugar no mundo, descubram quem são e se amem por isso. O brilho próprio, sabe?
Você é reconhecida pela preocupação ambiental. Quando começou a pensar sobre os impactos da indústria da moda no planeta? Por três anos e meio trabalhei na indústria calçadista, e sempre me preocupava com o impacto dos processos tóxicos do tingimento do couro, da logística e da geração excessiva de lixo, mas nunca pude fazer nada para mudar esta cena. Logo que saí do meu último emprego em fábrica de calçados, fui passar um tempo estudando fora do Brasil. Estava frustrada com a moda convencional. Quando voltei de uma viagem, tive que pagar um valor alto de excesso de bagagem devido a várias coisas que eu tinha comprado lá fora, influenciada pelo consumismo. Pensei: “por que eu estou pagando um preço tão alto para trazer tanta coisa que eu mal vou usar?”. Logo em seguida assisti ao documentário “The True Cost” e ali minha vida mudou. Foi quando decidi que seria porta-voz do consumo sustentável de moda.
Na sua visão como consultora, a maneira como nos vestimos, mulheres ou homens, informa quais detalhes sobre nós? Acredito que vestir-se é um manifesto, mesmo que não o façamos de forma consciente. As escolhas que fazemos ao vestir expressam quem somos, do que gostamos, a que e onde pertencemos.
A internet ajuda como no seu trabalho no dia a dia? A internet é uma ferramenta fundamental para o meu trabalho. Tanto na parte de pesquisa quanto na prospecção de novos clientes.
Um hobby: pintar em aquarela e cozinhar.
Uma frustração: a moda, que por sorte encontrei minha voz nela e meu espaço.
Um filme ou série: Rupaul’s Drag Race, porque trata da diversidade de forma muito bem humorada.
O que você gosta de ouvir: estou viciada no último álbum da Solange Knowles, pois usa sua música pra tratar de assuntos importantes como racismo e feminismo de uma forma incrivelmente sensível e bonita.
Deixe uma mensagem aos leitores do Panorama: faça a sua parte e confie no tempo das coisas. Mantenha-se produtivo! Pois só colhe quem planta.


