Ponderando que o setor calçadista brasileiro não tem condições de vencer a disputa de produção e preço com o mercado asiático, o ministro interino do Desenvolvimento e Comércio Exterior, Alessandro Teixeira, defende que a indústria nacional trabalhe a inovação nos seus produtos. A declaração foi feita por ele durante participação no Seminário da Indústria Calçadista, realizado no último sábado, numa promoção da Prefeitura de Parobé. O encontro ocorreu na Câmara de Vereadores e reuniu lideranças do calçado de toda a região.
O ministro iniciou sua palestra ressaltando a importância da indústria calçadista para o Brasil, lembrando que o setor possui mais de 15 mil empresas e emprega cerca de 400 mil pessoas. Contextualizando o cenário econômico nacional, Teixeira fez uma defesa da política implantada pelo atual governo, salientando que tem como foco o crescimento do país com a geração de renda, primando pelo lado social. Na avaliação do ministro, foi graças à implantação desta política que o Brasil sobreviveu às últimas crises econômicas da Europa, diminuindo, também, o número de pessoas que vivem em situação de pobreza. Teixeira prevê que, na próxima década, o Brasil estará entre as cinco maiores economias do mundo.
Partindo destas considerações, o ministro defendeu que a indústria calçadista nacional precisa aproveitar as boas condições do mercado interno, com consumo aquecido, para atender bem a demanda produzida pelos próprios brasileiros. “Todas essas pessoas que saíram da condição de pobreza extrema, e também os que passaram para a classe média, se constituem hoje numa grande massa de consumo”, disse Alessandro.
Revelando os números de importação de calçados do Brasil, que hoje giram em cerca de US$ 400 milhões, o ministro disse que, atualmente, este volume não é alto. Mas destacou ser preocupante, principalmente porque este calçado que entra no país é basicamente produzido na Ásia e chega ao Brasil como formador de preço, puxando para baixo o valor do calçado produzido nacionalmente. Este cenário dificulta a competitividade das indústrias brasileiras. O ministro defendeu, com isso, que a indústria nacional foque em alternativas de inovação, com a fabricação de um calçado com maior valor agregado. Citou como exemplo a Hawaianas, marca de sandália que tem a maior produção brasileira na área calçadista. Segundo o ministro, o trabalho de inovação da empresa é tão grande, que chegam ao mercado, por ano, mais de 15 novas versões da sandália. Isso dificulta a cópia por parte dos asiáticos, mesmo sendo as Hawaianas um produto relativamente simples de ser produzido.
O ministro também destacou iniciativas do governo federal de apoio ao setor, primeiramente com a defesa comercial. Segundo ele, a União está atenta às agressões no mercado internacional e pronta para aplicar políticas antidumping, entre as quais a prorrogação da vigente atualmente na área do calçado. Também disse que o governo quer fortalecer os grandes mercados, com apoio à organização de centros comerciais, e vai procurar ajudar as empresas na competitividade. Para tanto, oferece diversas linhas de crédito voltadas à inovação. O ministro também elencou desafios do governo para melhorar a competitividade da indústria, como os necessários investimentos em infraestrutura e na educação.


