
Uma moradora de Igrejinha está exibindo seu talento na arte de assar no reality show de churrasco “Arte na Brasa”, transmitido pela TV Record RS e que estreou no dia 14 de setembro. No programa, que vai ao ar aos sábados às 14h30, Kika Kuhn compete com outros 11 participantes para preparar o melhor prato, sendo avaliada em critérios como apresentação, ponto da carne, sabor e acompanhamentos. O prêmio: ser reconhecido como o melhor assador do Rio Grande do Sul.
Aos 52 anos, Kika tem experiência de mais de três décadas com a lida do assado. Autodenominada uma assadora “raiz”, ela aprendeu com a mãe, os irmãos e os tios no interior de Santa Catarina, onde nasceu, todo o processo que envolve o preparo de uma boa carne, do abate ao espeto, passando pela carneação do animal.
“Desde pequenininha estive envolvida nessa lida, quando ajudava meus pais. Carnear o porco, por exemplo, era sempre comigo e minha mãe”, recorda Kika, criada em São Miguel do Oeste.
Ela conta que começou a assar a partir dos 20 anos, já casada e morando em Igrejinha (onde vive desde 1993), época em que o trabalho do marido aos finais de semana o impedia de começar o preparo do churrasco ainda pela manhã, como manda a tradição.
“Quando casamos, meu esposo trabalhava em um posto de gasolina até as duas horas da tarde. Aí ficava muito tarde e geralmente acabávamos almoçando às quatro. Foi então que comecei a preparar sozinha. Aí, quando ele chegava, já estava tudo pronto”, conta.
Kika aprendeu a assar observando familiares. “Aprendi olhando os outros mesmo. Estava lá, sempre metida, querendo muito aprender, e foi assim que fui pegando gosto”, como lembra. Ela começou a se aprimorar profissionalmente há cinco anos, quando fez um curso com o chef Fábio de Pádua. Foi então que se aprimorou no costelão, cordeiro e parrilla. Desde então, ela trabalha com eventos.
A assadora observa que, apesar de tantos anos de experiência e certificados profissionais, ainda encara os olhares desconfiados por ser uma mulher num meio tradicionalmente ocupado por homens. Mesmo sendo sendo alguém declaradamente “raiz”, com toda uma cancha com o assado em fogo de chão, seu estilo preferido.
“Tem muito preconceito. Do tipo, ‘bah, olha só, uma mulher assando, será que sai alguma coisa? Será que vai ser bom?'”, revela. “E quando sai, bem, todos se surpreendem. Porque realmente a gente manda bem”.
Sobre o “Arte na Brasa”, Kika conta que, em cada etapa, os competidores precisam preparar um corte de proteína, definido pelo programa e revelado na hora aos participantes, e acompanhamentos. Os quatro selecionados passaram pelas semifinais e uma prova final vai definir o vencedor do desafio.
O ponto certo para ela? Mal passado. “É o que deixa a carne macia, suculenta e saborosa”.



