
Neiva Fernandes dos Santos, de 50 anos, foi atacada por um cachorro quando voltava do trabalho, na última segunda-feira (10). O incidente ocorreu em Parobé, próximo ao Parque do Festejando, e causou um ferimento profundo em uma das pernas da moradora. Neiva estava de bicicleta quando foi atacada.
Segundo ela, o cão estava acompanhando uma catadora de materiais recicláveis que passava pelo local, junto com outros animais. A matilha levou a moradora a atravessar a rua, o que não impediu a mordida em um dos tornozelos. De acordo com Neiva, a suposta tutora não prestou socorro.
A parobeense seguiu com muita dor até em casa, onde percebeu a gravidade da situação. “Levantei um pouco a minha calça e vi: o cachorro tinha tirado um pedaço“, conta. Ela foi imediatamente procurar socorro no Hospital São Francisco de Assis, onde recebeu o primeiro atendimento.


Neiva dos Santos procurou a Delegacia de Polícia de Parobé na manhã da última terça-feira (11) para registar o boletim de ocorrência. De acordo com a moradora, ela não conseguiu fazer o registro. “[O policial] disse que não podia fazer minha ocorrência, porque não tinha papel. Me mandou voltar outro dia“, relata
À Rádio Taquara, o delegado Francisco Leitão disse que o relato da moradora “não procede“. Segundo ele, são registrados mais de 5.000 boletins de ocorrência todos os anos e que “a orientação é registrar todas ocorrências“, o que só não ocorre quando o sistema está fora do ar.
Neiva retornou à delegacia nesta quinta-feira (13) e foi atendida pela autoridade policial, que ouviu o relato dos fatos e coletou dados pessoais. Segundo o delegado, “o caso, como todos os outros, será objeto de investigação“.
Além da dificuldade relatada pela moradora ao registrar a ocorrência, Neiva foi encaminhada para a Unidade Básica de Saúde (UBS) Dr. Mário Luiz Seefeld, em Taquara, para tomar a medicação antirrábica, pois o município de Parobé não possui o medicamento. Ela precisa ir periodicamente para realizar as doses até completar o tratamento.
Questionada pela equipe da Rádio Taquara, a prefeitura de Parobé informou que as doses do medicamente são distribuídas de forma regional. A cidade de Taquara é o município referência para atendimento no Vale do Paranhana, sendo o único a receber vacinas antirrábica da Secretaria de Saúde do Estado.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Parobé destacou os trabalhos de prevenção a acidentes como o que ocorreu com Neiva. Segundo a pasta, ações são desenvolvidas continuamente para contornar a problemática, “com destaque para o programa permanente de castração de cães e gatos, que em 2025 castrou cerca de 800 animais“.
Neiva segue realizando o tratamento com vacinas em Taquara e aguardando o desfecho do caso. Ela está afastada do trabalho e da prática de exercícios físicos devido ao ferimento. Segundo a moradora, existem outras pessoas que relataram casos semelhantes nas redes socias.
A vítima diz esperar um atitude das autoridades. “A única coisa que eu quero é tirar esses cachorros da rua. Cachorros perigosos. E se morde uma criança? E se morde um idoso? E se mata?“, finalizou. O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil.
Segundo o delegado Francisco Leitão, nesta sexta-feira (14), já se realizou a oitiva da vítima. A suposta tutora dos cães que, segundo Neiva, presenciou a cena e não prestou socorro, será intimada a comparecer na delegacia para interrogatório.


