
Na quarta-feira (4), foi realizada uma audiência no auditório da Secretaria de Saúde de Taquara reunindo representantes do grupo de manifestantes que vem cobrando melhorias no sistema público de saúde do município, além de uma equipe técnica da pasta e vereadores. O encontro foi um desdobramento das manifestações realizadas nos dias 14 e 31 de maio, quando moradores protestaram em frente à Prefeitura exigindo melhorias nos serviços prestados.
Estiveram presentes na reunião a secretária municipal de Saúde, Loreni Spirlandelli; o coordenador de Saúde Mental do município, psicólogo Kleber Gusthavo Teles Giordani; e a coordenadora de Atenção Básica e monitoramento do Gercon (Sistema de regulação de consultas especializadas do SUS), Amanda Batista. Participaram também os vereadores Telmo Vieira, Guido Mario e Everton Gomes da Rosa (PP); Dodô Mello e Fabi Reinaldo (Republicanos); Lissandro Neni (PTB); Carmem Fontoura (PSB); e Magali Vitorina da Silva (União).
“Vamos falar a verdade: a Comissão de Saúde não está dando conta. As redes sociais estão cheias de reclamações. Não dá mais pra esperar tudo ser colocado no papel. É muita negligência, muita falta de atendimento”, disse a vereadora Magali. “Quando a atenção básica não dá conta, estoura no hospital. Hoje, o hospital é visto como o vilão, mas algo precisa ser feito pela Secretaria de Saúde com urgência. Enquanto o município não resolver seus próprios problemas, as pessoas não terão opção. Estamos falando de papel, mas as pessoas estão morrendo. Parece que estamos batendo só no hospital, mas é tudo. É geral”.
Conforme os vereadores, houve impacto após o encerramento do funcionamento do Complexo de Saúde no período da meia-noite às 7h, ocorrido em novembro do ano passado. A mudança teria aumentado a procura por atendimento no Hospital Bom Jesus (HBJ), segundo os parlamentares.
Demanda no complexo e situação no HBJ
Apesar do aumento nos atendimentos do hospital, a secretária Loreni destacou que a maior demanda continua concentrada no Complexo Municipal de Saúde.
“Vocês sabem quantas consultas são feitas no Complexo por mês? São cerca de nove mil para adultos e três mil para crianças. Só no Complexo. Agora, qual é o contrato que nós temos com o hospital? Ele prevê que devem ser atendidas, no mínimo, 1.800 pessoas por mês, e no máximo, 2.500. Tem mês que não chega nem a 1.500″, observou a secretária.
E acrescentou:
“Ninguém pode impedir que uma pessoa escolha ir ao hospital. Se ela prefere ir lá em vez de buscar atendimento em outro lugar, o que podemos fazer? Há dois meses, a própria Marisete [Marisete Dal’Molin, diretora do Hospital Bom Jesus] me mostrou uma situação: alguém perguntou para a pessoa ‘por que você não vai no postinho?’, e ela respondeu: ‘ah, eu não quero, eu vim aqui’”, relatou a titular da pasta de Saúde.
O vereador Neni deu seu ponto de vista sobre a procura da população pelo HBJ:
“O atendimento nos postos de saúde está péssimo. Essa é a verdade. As pessoas não querem mais ir lá. Estão indo direto pro hospital porque sabem que não vão ser bem atendidas nos postos”.
Propostas ao Executivo
O vereador Telmo destacou a importância de ouvir a comunidade e agir com rapidez para melhorar o atendimento na saúde.
“Todos conhecem a Estratégia da Saúde da Família [ESF], mas é preciso ouvir as pessoas e fazer os ajustes necessários. O programa é bom, mas falhou na comunicação desde o início, e isso compromete os resultados. Agora, depois de tantos relatos, queremos encaminhar propostas concretas ao Executivo”.
Segundo o parlamentar, há contratações no horizonte.
“Já está em análise a contratação de 24 médicos, 24 enfermeiros e técnicos de enfermagem, além de três pediatras. Com o aumento dos casos de síndromes respiratórias, principalmente entre crianças, é urgente reforçar o atendimento. É hora de agir”, disse.
Reivindicações
Durante o encontro, o grupo de moradores apresentou um documento com 13 reivindicações prioritárias, elaborado por um coletivo intitulado Grupo Organizado de Famílias Taquarenses. O texto, que também havia sido entregue à prefeita Sirlei Silveira após o protesto do dia 31 de maio, denuncia a “precariedade no atendimento médico no município” e aponta problemas como:
- Ausência de pediatras e outros especialistas nas unidades de saúde;
- Atraso na realização de exames;
- Falta de medicamentos e atendimento humanizado;
- Superlotação no hospital e restrições para solicitação de exames;
- Ausência de estrutura neonatal e desmonte de programas como o de Saúde da Mulher

Entre as principais reivindicações apresentadas no documento estão:
- Contratação e retorno imediato de pediatras;
- Atendimento 24h no Complexo de Saúde e farmácia SUS;
- Retorno de especialistas como traumatologistas, pneumologistas, cardiologistas e geriatras;
- Agilidade em exames e cirurgias;
- Reabertura do Posto Piazito;
- Criação de leitos de UTI neonatal no município.
Nota da prefeitura
Na semana passada, em ofício encaminhado ao grupo, a prefeita Sirlei Silveira detalhou medidas adotadas. Na nota oficial, a administração municipal reforçou a proposta de abertura de crédito suplementar de R$ 1 milhão para a saúde, que deverá ser votada na Câmara de Vereadores na próxima semana, com foco na contratação de 24 médicos e 24 enfermeiros, principalmente pediatras. “Essa ação permitirá manter as UBSs abertas até a noite durante o inverno e também contratar exames, reduzindo, e até mesmo zerando, a fila para alguns tipos de encaminhamentos”, explicou.
O Executivo ressaltou que Taquara conta hoje com 46 médicos na atenção primária, sendo 28 clínicos gerais e 15 especialistas — incluindo três pediatras, além de psiquiatras e ginecologistas. Os serviços de maior complexidade, como maternidade e traumatologia, são referenciados em hospitais regionais, de acordo com as diretrizes estaduais do SUS.
A prefeitura alega ainda que o município oferece uma das maiores estruturas de saúde da região, com 12 UBSs, Pronto Atendimento, CAPS e equipe do Programa Melhor em Casa, totalizando cerca de 50 mil atendimentos mensais.


