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Moradores do interior e prefeitura de Taquara divergem sobre nascente em área utilizada para descarte

Moradores alegam contaminação ambiental em Morro Negro e pedem a remoção dos resíduos; secretário de Meio Ambiente afirma que o licenciamento está regular e que monitoramento será realizado.

Moradores da localidade de Morro Negro, no interior de Taquara, manifestaram, nesta segunda-feira (17/3), preocupação com o descarte de materiais em uma saibreira na região. Durante entrevista à Rádio Taquara, Joel Fernandes, residente do local, relatou que há lixo eletrônico, plásticos e outros resíduos no espaço, que teriam sido encobertos por camadas de saibro. Ele também afirmou que há uma nascente no local, o que, segundo ele, tornaria o descarte ainda mais prejudicial ao meio ambiente.

“A água continua correndo, mesmo com a seca, e o lixo está enterrado ali, formando camadas. Isso pode contaminar a nascente e prejudicar a qualidade da água”, afirmou Joel. Segundo ele, os moradores já buscaram diálogo com a prefeitura e propuseram a remoção dos resíduos, com a recuperação ambiental da área por meio do replantio de vegetação nativa.

Contatado pela reportagem, o secretário municipal de Meio Ambiente, Luciano Campana, nega que haja uma nascente no local e afirma que há laudos técnicos desde 2010 que embasam a extração de saibro na área. “Se houvesse nascente, não poderia haver extração de saibro. Lá nunca existiu nascente”, garantiu Campana. O secretário também informou que a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) foi acionada e solicitou um plano de monitoramento da área, que será elaborado conforme determina a resolução 525/2025 da Comissão Estadual de Controle Ambiental (Cocema). “Os laudos de monitoramento demonstrarão se há ou não material tóxico”, acrescentou.

Sobre a possibilidade de remoção dos materiais descartados, Campana afirmou que “a possibilidade sempre existe”, mas reforçou que a questão essencial é determinar se há ou não material contaminante no local. “Tudo foi e continuará sendo feito dentro da devida legalidade. A licença e o manejo não foram de material contaminante”, destacou o secretário.

A reivindicação dos moradores é de que os resíduos sejam retirados antes do período chuvoso, para evitar danos ambientais mais graves. Eles também pedem que a área seja recuperada e transformada em um espaço de lazer para a comunidade.

Na semana passada, Campana havia explicado, em entrevista à Rádio Taquara, que o local está sendo utilizado para o descarte de materiais que se acumularam na enchente do ano passado. “O local foi escolhido por atender critérios ambientais, como afastamento de núcleos populacionais, ausência de recursos hídricos e possibilidade de estabilização dos resíduos no terreno”, explicou Campana. Ele também afirmou que a Prefeitura realizou triagem dos materiais na usina do Moquém antes de encaminhá-los ao Morro Negro, garantindo que apenas escombros, madeira, mobiliário e material vegetal foram depositados, sem lixo doméstico ou substâncias contaminantes.