Na semana passada, completou-se um ano do incêndio na fábrica de Taquara da Calçados Beira Rio. O prédio, no bairro Santa Teresinha, foi destruído no dia 2 de fevereiro de 2014, um domingo. Como se sabe, muitas pessoas perderam o emprego, resultado que refletiu no desempenho ruim do mercado de trabalho em Taquara no ano passado. Contudo, para moradores do bairro que sediava a fábrica, ainda há outro problema: a indefinição sobre o uso que será dado à área.
Vizinha defronte ao local em que a empresa estava instalada, Marlene Martins contempla da área de sua residência o que sobrou da Beira Rio. Hoje, o prédio dos fundos já foi demolido, e há uma enormidade de pedras soltas pelo terreno, bem como ferros retorcidos, que davam sustentação às paredes das fábricas. “Se fossem tirar o que ainda está por aqui, certamente encheria um caminhão”, comentou Marlene à reportagem do Panorama. Segundo ela, os ferros representam perigo às crianças que ainda brincam no local.
Os moradores vizinhos fazem seguidas operações de limpeza no local, mas não é possível contemplar tudo. Da cerca que protegia a entrada na fábrica, resta apenas uma parte, pois a outra já foi depredada. Segundo Marlene, várias autoridades de Taquara realizaram visita, sempre prometendo ao menos uma limpeza para o terreno. O desalento vem com a facilidade com que as promessas são feitas, mas com a dificuldade do seu cumprimento. Até agora, nem sinal de uma limpeza. Além disso, segundo a moradora, seria necessária a instalação de uma iluminação noturna, que propiciasse mais segurança ao local.
No ano passado, a Prefeitura de Taquara anunciou a intenção de construir uma praça no terreno que sediou a fábrica. Consultado na terça-feira por Panorama, o secretário de Planejamento, José Inácio Wagner, informou que a Beira-Rio firmou com a administração municipal um termo de acordo para a doação do imóvel. O documento, porém, estabelece que o uso a ser dado para o terreno deve ser uma praça. Sobre a construção do espaço de lazer, Inácio informou que um projeto foi encaminhado no ano passado ao governo federal, mas não houve resposta. Neste ano, assim que os prazos para o encaminhamento de projetos se abrirem novamente, a Prefeitura pretende remeter a documentação, a fim de tentar obter verba para a obra. O secretário lamentou que, com verbas próprias, a administração não consiga assumir este investimento.


