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Morre em combate o soldado Tailon Ruppenthal, de Três Coroas, que lutava na guerra da Ucrânia

Família confirmou a morte nas redes sociais; ainda não há informações oficiais sobre as circunstâncias do falecimento
Tailon integrava uma unidade de forças especiais no país invadido (Fotos: Arquivo pessoal)

O soldado Tailon Ruppenthal, de 41 anos, morador de Três Coroas, morreu em combate na guerra da Ucrânia. A informação foi confirmada pela família nas redes sociais, na tarde desta segunda-feira (6). Ainda não há detalhes oficiais sobre as circunstâncias da morte.

A mãe de Tailon, Marileuza Borges Bertolucci, divulgou uma mensagem de despedida ao anunciar o falecimento:

“É com profunda dor e imensa tristeza que comunicamos o falecimento do amado filho Tailon Ruppenthal que partiu deixando saudade eterna em nossos corações. Agradecemos por todas as orações, carinho e respeito neste momento de imensa dor. Que Deus o receba em sua luz e nos dê força para seguir.”

Tailon ficou conhecido na região após deixar o Brasil para integrar as forças de defesa ucranianas, em meio ao conflito iniciado com a invasão russa em fevereiro de 2022. Em reportagem exclusiva da Rádio Taquara, ele contou que sua decisão de lutar estava ligada ao desejo de defender a liberdade e ajudar um povo em guerra.

“Hoje o céu ganhou mais uma estrela, e nosso coração chora a partida de nosso querido filho Tailon Ruppenthal. Sua luz e seu amor ficarão para sempre em nós”, escreveu Marileuza em outro trecho da homenagem no Facebook.

Até o momento, não houve posicionamento oficial do governo ucraniano ou das autoridades brasileiras sobre o caso.

Trajetória

O ex-soldado do Exército brasileiro, com passagem por um pedaço turbulento da América Central no começo dos anos 2000, Tailon atravessou 12 mil km rumo ao território ucraniano em julho.

No país em guerra, o soldado integrou uma unidade de inteligência formada majoritariamente por brasileiros. Passou por Dnipro, importante centro econômico e estratégico no mapa do conflito, e, quando conversou com a reportagem em agosto, estava em Kharkiv, segunda maior cidade da Ucrânia, reconhecida por sua indústria e centros de pesquisa.

“Minha especialidade aqui é pilotar e operar drones, oferecendo apoio direto às tropas. Utilizamos equipamentos de reconhecimento, com visão térmica e visão noturna, dentro da linha de tecnologia disponível aqui”, explicou à época.

Tailon era um militar experiente. Em 2004, ele participou da missão de paz da ONU (Organização das Nações Unidas) no Haiti, organizada para restaurar a ordem e a estabilidade no país caribenho após um período de violência e turbulência política, incluindo a deposição do presidente Jean-Bertrand Aristide. Experiência que, segundo ele, serviu de aprendizado para compreender o caos e a rotina em cenários de instabilidade. E rendeu um livro:  ‘Um Soldado Brasileiro no Haiti‘.

Ele deixa uma filha de 14 anos.