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Morre o empresário Moacir Vieira, um dos precursores do ciclismo em Taquara

Aos 84 anos, Moacir Vieira também era apoiador de causas sociais e integrante da Associação Taquarense dos Amigos Ciclistas (ATAC).
Fotos: Arquivo pessoal

Faleceu, na noite de quinta-feira (02), o empresário Moacir Vieira. Conhecido por ser um dos precursores do ciclismo em Taquara, seu Moacir também era apoiador de causas sociais e integrante da Associação Taquarense dos Amigos Ciclistas (ATAC).

De acordo com informações de amigos e familiares, o empresário tinha 84 anos e faleceu no Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Canoas. E em razão dos transtornos climáticos e dos bloqueios nas rodovias da região, ainda não estão sendo divulgadas informações sobre o velório e sepultamento do ciclista.

Para homenagear um de seus integrantes mais ilustres, que junto com o senhor Cláudio Corrêa da Silva dá nome ao bicicletário na rua Guilherme Lahm, esquina com a Júlio de Castilhos, e que foi instalado em Taquara no dia 13 de setembro de 2020, a ATAC divulgou um texto de Cristian Lauck, contando a trajetória de seu Moacir Vieira e seu amor pelo ciclismo. Confira abaixo, na íntegra:

Memórias afetivas são lembranças que, de alguma forma, nos transportam para momentos especiais. Agradeço pela sua amizade, conselhos e conversas; você fará muita falta.

Segue aqui um pouco de suas histórias:

Desde “Piru” eu era fominha por bicicleta. O Claudio Correia veio morar em Taquara e abriu uma loja de bicicletas. Ele morava no morro da Formiga e eu morava a cerca de 4 km da casa dele (perto do acesso para Tucanos).

Todo o sábado eu ganhava uns trocados da minha avó e ia até a casa do Claudio para poder andar de bicicleta. Ele tinha umas 12 bicicletas e precisava de ajuda para levá-las para a praça, assim eu podia andar de bicicleta. Na praça eu gastava meus troquinhos para alugar a bicicleta por mais meia hora. O dinheiro acabava e eu ficava sentado esperando para no final do dia levar as bicicletas de volta, assim podia andar mais. Eu era muito fominha, queria só estar em cima da bicicleta.

No início a maior dificuldade era não ter uma bicicleta, mas isso nunca foi um empecilho.

Em Taquara ainda não tinha ninguém competindo, eu comecei a competir com 19 anos. Muitas vezes eu ia pedalando para Gravataí, Ipanema, Viamão, Porto Alegre para poder competir. Diferente de hoje, naquele tempo as bicicletas não tinham marchas e muitas estradas eram de chão batido.

Para mim uma corrida emblemática foi em Ipanema. Sai cedinho de Taquara de bicicleta e cheguei um pouco antes da corrida. Quando deu a largada eu saí no meio do pelotão. Nas corridas ainda não tinha moto para puxar, era motociclo. Os outros competidores começaram a se amarrar e eu passei por todos inclusive pelo motociclo, quando me dei por conta o pelotão tinha dobrado em uma rua, voltei e fui atrás. Me esforcei ao máximo, ultrapassei todos e ganhei a corrida. Quatro horas da tarde estava de volta em Taquara pedalando. Guardo o jornal com a notícia até hoje.

Em 62 ganhei o campeonato dos bairros e ganhei de premiação uma “coisa de outro mundo”, uma bicicleta esporte com três marchas.

Nas primeiras corridas na cidade de Igrejinha quando eu chegava para competir alguns diziam “schwarz nein”, negro aqui não, não queriam que eu participasse. Depois que ganhei as primeiras provas todos ficaram meus amigos e o problema acabou.  Através do ciclismo conheci o Estado e fiz muitas amizades.

Aprendi cedinho que em uma corrida não se pode dar colher de chá, se alguém tentar escapar vai junto, não deixe.

Mais tarde comprei um Jeep, e comecei a levar mais amigos para competir, eu era o mais velho. No Jeep tinha lugar para quatro pessoas com as bicicletas.

Eu adorava competir, para mim era uma festa. Eu fazia o que gostava, quando se faz o que gosta não tem mistério.

Lembro-me de em uma prova em Triunfo ser erguido com bicicleta e tudo pelo público após ganhar uma corrida.

Antigamente bicicleta tinha duas rodas, pedal banco e guidão, hoje em dia tem muitos componentes, mas ela não anda sozinha, e normalmente o ciclista mais ruim tem a melhor bicicleta, ele tem dinheiro para comprar.

Para quem está iniciando no ciclismo, se você gosta de pedalar vá em frente. Quando se faz o que gosta tudo fica mais fácil!