
Morreu, nesta quinta-feira (23), em Taquara, um dos mais tradicionais sapateiros do município. Raymundo José Dalmina, aos 86 anos, foi vítima de problemas de saúde. O velório ocorrerá a partir desta sexta-feira (24), na capela D do Cemitério Municipal, e a cerimônia de despedida a partir das 15 horas. Em seguida, haverá cortejo até o Crematório Jardim da Memória de Novo Hamburgo.
Exemplo de vida profissional ativa e entusiasmo na terceira idade, Dalmina foi personagem de diversas matérias ao longo da história do Jornal Panorama. No ano passado, figurou em texto especial preparado para celebrar o Dia do Idoso. Contou que o ofício de sapateiro foi aprendido aos 13 anos, após ingressar no Colégio Cristo Rei, em São Leopoldo. O período no internato durou até os 17 anos, quando retornou à residência familiar e passou a ajudar no trabalho no campo. Aos 25 anos, decidiu deixar novamente o interior e tentar a vida em Carlos Barbosa, onde montou uma sapataria. “A colônia não era para mim, não me dava bem com a roça”, contou ao jornal.
Dalmina não é natural de Taquara, mas contou que veio para o município em busca de oportunidade. Natural de Barão, afirmou que tinha um irmão que morava em Taquara e contava sobre o fértil campo de atuação no comércio local, convencendo-o a se mudar em 1959, com a mulher Jurema Catarina Frozza Dalmina, com quem teve os filhos Paulo, João, Elisete, Mônica e Marcelo. “Fiquei impressionado com o fluxo de mercadorias que existia aqui”, recordou, ao lembrar os tempos em que o trem transportava cargas vindas da região metropolitana.
“Nunca fiz da profissão um meio apenas para ganhar dinheiro. Sempre foi gratificante ver as pessoas satisfeitas com o resultado do trabalho”, disse, na ocasião. Na sapataria, recebia os amigos para conversas. A maioria dos clientes de Raymundo, segundo a definição dele, eram “amigos do peito”.



