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MPT e Frigorífico Zimmer fecham acordo para regularizar saúde e segurança de fábrica

Além de corrigir setores, empresa deverá pagar indenização, cujas primeiras parcelas beneficiarão pacientes em tratamento de câncer atendidos por ONG de Sapiranga.
Em outubro, MPT realizou fiscalização sobre segurança do trabalho na empresa. Divulgação

O Ministério Público do Trabalho (MPT) informou, nesta sexta-feira (20), o fechamento de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Frigorífico Zimmer, de Parobé. Por meio do instrumento, a empresa se comprometeu a regularizar aspectos de saúde e segurança do trabalho em sua fábrica, inspecionada entre 21 e 24 de outubro, e que, segundo o MPT, representam riscos graves aos seus 275 empregados. Com o documento, o MPT afirma que atua em prol do cumprimento da legislação, sujeitando a empresa ao pagamento de multas em caso de persistência das infrações.

Foi estabelecido cronograma de adequação, de acordo com a gravidade e a complexidade das infrações encontradas. Dentre as obrigações ajustadas, destaca-se o compromisso de redução do risco de exposição dos trabalhadores a atividades repetitivas para o grau leve até dezembro de 2021. O ajustado é que o frigorífico se regularize completamente no fim de 2022, com a maior parte dos prazos vencendo no próximo ano.

O TAC engloba obrigações referentes a adequações em todos os setores, abrangendo aspectos de ergonomia, como plano de prevenção a lesões por esforços repetitivos e doenças osteomusculares,, segurança de máquinas, controle de amônia, de ruídos e conforto térmico, resgate em espaços confinados, além da implantação efetiva de programas preventivos definidos em Lei, como o de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e a Análise Ergonômica do Trabalho (AET).

Conforme o MPT, foram pactuadas, ainda, obrigações com vistas à regularização da atuação do SESMT da empresa, investigações de acidentes de trabalho, emissão de CATs e custeio de medicamentos e tratamentos relacionados a acidentes e doenças do trabalho. Além das multas a que está sujeita no caso de descumprimento das obrigações do TAC, a empresa deve pagar, a entidades beneficentes de Parobé e região, R$ 250 mil, a título de danos morais coletivos pelas irregularidades encontradas na inspeção e pelo risco que oferecem à saúde e à segurança dos trabalhadores. Uma das entidades a ser beneficiada é a Liga Feminina de Combate ao Câncer de Sapiranga, que deve receber as primeiras parcelas da indenização e revertê-las na compra de medicamentos para os cerca de 600 pacientes, mulheres, homens e crianças, atendidos pela ela.

O MPT afirma que o valor pactuado foi adequado ao porte da empresa, que abate cerca de 400 bovinos por dia. O documento foi firmado pelas procuradoras do MPT Priscila Dibi Schvarcz, coordenadora do Projeto de Adequação das Condições de Trabalho em Frigoríficos no Rio Grande do Sul, e Fernanda Arruda Dutra, do MPT em Novo Hamburgo, responsável pelo inquérito civil sobre meio ambiente de trabalho no frigorífico.