Haiml & etc.
Esta postagem foi publicada em 4 de janeiro de 2013 e está arquivada em Haiml & etc..

Muito mais que uma aventura

Enquanto “O Hobbit”, de J. R. R. Tolkien, estava sendo finalizado em 3D para as telas, fui à leitura de “Contos Inacabados”, também de Tolkien, que, para quem não lembra, é o autor da saga de “O Senhor dos Anéis”.
Não li tal saga, estava vendo os filmes feitos sobre a mesma, e não queria estragar as surpresas que me deslumbravam a cada filme que chegava. Mas fui tentar ler “O Silmarillion”, que não é diretamente relacionado aos filmes, mas a coisa não era ainda bem por aí. “O Silmarillion”, descobri depois, é para ser lido por quem já vagara há mais tempo pela Terra-média. Troquei-o então pelo “O Hobbit”, e acertei .
Tal obra é o prenúncio que abre para a história da trilogia, e com uma narrativa mais simples e direta, mas nem por isso menos emocionantemente tolkienana. Conta como o Mago Gandalf enfia o hobbit Bilbo numa arriscada aventura com um bando de anões, afim de que nesse ínterim ele encontrasse o anel, que depois Bilbo dá a Frodo e desaparece deixando o abacaxi na mão do sobrinho que então iniciará sua longa e dolorosa jornada na missão de destruir o maldito objeto.
Tolkien era professor de Filologia (estudo das línguas e suas origens) na Universidade de Oxford. Seu conhecimento sobre as línguas europeias era surpreendente, o mesmo sobre a mitologia nórdica – seus estudos linguísticos e suas traduções de textos mitológicos e de obras clássicas estão qualificados como trabalhos da mais alta qualidade. Todo esse conhecimento ele usou para criar o universo da Terra-média com suas eras, sua vasta e rica extensão geográfica (mais de 400 lugares), suas muitas diversidades étnicas, várias enraizadas em longuíssimas genealogias e cada uma com idiomas e outros elementos culturais próprios.
É engraçado pensar que um tradicional senhor britânico, que, apesar de todo o seu inigualável trabalho, tinha uma vidinha tranquila, de repente viu-se numa popularidade de astro pop pelo sucesso estrondoso e inesperado da Saga do Anel que encheu de fãs e curiosos de todas as partes não só a ruazinha calma em que morava, mas seu pátio. E mais, professor de uma das mais convencionais universidades do mundo, se tornou em um dos elementos principais na formação da cultura-geração hippie que voltava à natureza por seus textos e assimilava as mensagens ecológicas e pacifistas de uma obra que se espalhou também por vários estilos musicais.
Voltando a “Contos Inacabados”, há nele histórias apaixonantes, como a do trágico destino dos filhos de Turin, a longa/inóspita jornada de Tuor, até a magnífica/secreta Gondolin, o estranho amor entre Aldarion e Erendis, textos que por suas ressonâncias bíblicas, míticas e clássicas vão além, muito além, de apenas belas aventuras.

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