A cada 10 empresas que são criadas no Brasil, cinco são lideradas por mulheres. Mas, além do empreendedorismo, em Igrejinha elas se destacam em outra área: no voluntariado. Das 30 pessoas que servem à população gratuitamente no Corpo de Bombeiros Voluntários da cidade, 11 são mulheres. Panorama foi ouvi-las para conhecer mais dessa atividade que reúne participantes de outras cidades, como Gramado, Nova Hartz, Taquara e até Torres.
Conforme a disponibilidade de cada voluntária, elas trabalham cerca de seis horas semanais de modo não remunerado, desempenhando as mesmas funções dos homens. “Fazemos de tudo, desde limpeza até o atendimento às ocorrências na rua. Com autorização do comandante inclusive dirigimos veículos da corporação”, comentou Silvana Reis Guimarães, voluntária de 42 anos. Atividades que, segundo elas, são movidas pela paixão de ajudar o próximo. “Comecei por curiosidade há quatro anos. Logo me apaixonei pela rotina daqui. A sirene tocando e a ambulância saindo fazem meu coração vibrar”, comentou a jovem Natiele Amaral de Souza, de 19 anos, que iniciou como cadete e hoje é voluntária. “A sensação de poder ajudar os outros não tem explicação”, concluiu Natiele.
Em um trabalho realizado em contato direto com a comunidade, as voluntárias por vezes se veem em situações inusitadas. “Muita gente nem sabe que há mulheres atuando na corporação. Mesmo assim, quase sempre temos nosso trabalho respeitado, sem sofrer discriminação por sermos mulheres”, comentou Édiana Josiane Schonardie, de 25 anos. Em reconhecimento, a comunidade dá méritos ao trabalho que a corporação realiza. “É muito gratificante. Somos bem recebidas pela comunidade e ganhamos elogios pelo que fazemos”, disse Édiana.
Mas existem adversidades nos trabalhos das voluntárias, principalmente relacionadas à estrutura. “A falta de recursos acaba nos desmotivando um pouco às vezes. Desde a ausência de veículos para atender mais de uma ocorrência ao mesmo tempo até cursos e eventos de qualificação, pois nós temos de pagá-los. Além disso, às vezes é difícil conciliar a carga horária dos nossos empregos com o tempo disponível para o trabalho voluntário”, comentou Andréia Martins Pazze, de 41 anos. Contudo, elas não deixam que as dificuldades se sobressaiam ao desejo de ajudar. “Isso é tudo pra mim. O voluntariado vai ser o objetivo da minha vida”, disse Silvana que, inclusive, está se capacitando em um curso técnico em enfermagem.


